PS/Açores diz que há risco de região ter de devolver verbas a Bruxelas
PRR
28 de out. de 2024, 16:20
— Lusa/AO Online
Segundo
Francisco César, “existe a clara possibilidade” de os Açores ficarem
“muito abaixo na execução do PRR”, sendo que a região pode “não concluir
aquilo a que se comprometeu” e poderá ter que “devolver verbas do que
não se conseguir executar”.O dirigente
socialista falava aos jornalistas após uma reunião, em Ponta Delgada,
com representantes da Comissão de Acompanhamento do PRR – Açores do
Conselho Económico e Social dos Açores (CESA).Segundo
Francisco César, foi transmitido pelo CESA que “há uma diferença muito
grande do que está no papel e a materialização dos investimentos [do
PRR] propriamente ditos”.Ainda de acordo
com o líder do PS/Açores, existe “neste momento um padrão de
incapacidade de execução do plano de investimentos do Governo Regional”
(PSD/CDS-PP/PPM) com “execuções baixíssimas”, havendo mesmo “rubricas
com 0% de execução”, a par dos quadros comunitários de apoio e do PRR.Francisco
César sinalizou ainda a “incapacidade que a região tem neste momento”
de pagar a fornecedores e pessoas com contratos com o executivo
açoriano, alertando que em 2025 pode-se “vir a ter uma situação muito
complicada do ponto de vista económico, social e de execução
orçamental”. Segundo o líder do maior
partido da oposição nos Açores, no âmbito da recapitalização das
empresas, a execução dos marcos e metas do PRR é de 71%, mas
“verifica-se que naquela que era a exigência de 50 milhões de euros de
recapitalização das micro, pequenas e médias empresa, só estão 20 avisos
abertos”, a par de uma execução de 600 mil euros.“A
habitação também é outro dos problemas: fica muito bonito no papel o
que está a ser feito, mas o Governo Regional não tem capacidade para
executar, nem está minimamente preocupado”, afirmou.Francisco
César lamentou ainda que a comissão especializada de acompanhamento do
PRR do CESA não tenha acesso atempado a informação sobre o documento,
defendendo a necessidade de mais transparência em todo o processo.Sobre
a possibilidade de a Comissão Europeia prorrogar o prazo de execução do
PRR, na sequência das dificuldades de materialização que
Estados-membros e regiões estão a enfrentar, o socialista reconheceu que
“é muito difícil que exista”.Na semana
passada, a presidente da Comissão Especializada de Acompanhamento do PRR
do Conselho Económico e Social dos Açores, Alexandra Bragança, referiu
que, “até 30 de junho, o que estava transferido para os beneficiários
finais são 146 milhões [de euros]”.“Isto
representa, se considerarmos o investimento inicial dos 580 milhões,
25%. Se considerarmos o investimento dos 750 milhões, representa 13%”,
disse, salientando que a região está no “bom caminho”.A responsável alertou, contudo, para a necessidade de “acelerar o passo e não perder tempo” na execução do plano.