PS/Açores diz que Governo Regional se "afundou mais no pântano" das Agendas
PRR
21 de out. de 2021, 10:07
— Lusa/AO Online
“O Governo [de coligação
PSD/CDS-PP/PPM] afunda-se cada vez mais no pântano das agendas
mobilizadoras que ele próprio criou. O presidente do Governo lida mal
com o escrutínio parlamentar. Ao invés de fazer uma declaração escondida
nos corredores do parlamento, devia tê-la feito na sala do plenário,
com os representantes do povo açoriano, como aliás teve vastas
oportunidades para fazer esta semana”, disse Vasco Cordeiro.O
ex-presidente do Governo Regional dos Açores falava aos jornalistas na
Assembleia Legislativa Regional, pouco depois de o atual líder do
executivo ter anunciado que as candidaturas de empresas a 117 milhões de
euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) vão começar do zero,
com a garantia do ministro do Planeamento do Governo da República de que
não se perde um cêntimo.As críticas à
forma como o Governo açoriano se envolveu nas candidaturas àquela verba
marcaram o debate de terça-feira no parlamento regional, porque a
iniciativa terá deixado de fora grande parte dos empresários do
arquipélago, que alegam não terem tido conhecimento do processo.A
decisão de fazer o processo voltar ao zero foi justificada pelo líder
do executivo, José Manuel Bolieiro, com a intenção de acabar com as
suspeições sobre o Governo dos Açores e as empresas da região que se
mobilizaram para o concurso de ideias lançado pela República em julho.Para
Vasco Cordeiro, “quem lançou um manto de suspeição sobre o processo e
sobre as empresas privadas foi o Governo, pela forma desastrada como
geriu o assunto”.O presidente do PS/Açores
destacou ainda a “desautorização pública profundamente constrangedora”
feita por Bolieiro ao seu secretário regional das Finanças, Joaquim
Bastos e Silva. “Se o secretario regional
[das Finanças] saiu ferido do debate de terça-feira, o presidente do
Governo acaba de lhe dar o golpe de misericórdia, demonstrando
publicamente que ele agiu mal neste processo”, frisou Vasco Cordeiro.Questionado sobre se Bastos e Silva devia ser demitido, o socialista disse que “a resposta deu-a hoje o presidente do Governo”.Cordeiro
reconheceu que Bolieiro não demitiu o secretário Regional, mas
considera que, “na prática", o "sacrificou na praça pública”.Quanto
à proposta de criação de uma comissão de inquérito sobre o assunto,
apresentada hoje na Assembleia Legislativa Regional dos Açores (ALRA)
por deputados do PS, do BE, da IL e do PAN, Cordeiro diz que, “do ponto
de vista político, ainda faz mais sentido”.“Ao
contrário do que pretende o presidente do Governo, que é centrar as
atenções no secretário das Finanças, o que ele fez aprovar é que as
decisões políticas e estratégicas são tomadas pelo Conselho do Governo”,
alertou o deputado socialista.Para o líder do PS/Açores, persiste “uma nebulosa em que não se percebe quem, do ponto de vista do Governo, tomou as decisões”.“É um assunto demasiado importante para ficar desta forma”, notou.Vasco Cordeiro defendeu que o processo de contacto com as empresas “deve ser retomado rapidamente” pelo Governo.“Não
há um minuto, um segundo a perder. Devia o Governo, já na próxima
semana, iniciar uma ronda de esclarecimento a todas as empresas dos
Açores e tentar que o máximo de empresas pudesse aceder a estes fundos”,
defendeu.Para Vasco Cordeiro, o Governo
Regional “tem a responsabilidade de esclarecer, de mobilizar, de dar
conta às empresas açorianas das oportunidades presentes nestes fundos”.