PS/Açores diz que a coligação do Governo Regional “não está à altura dos desafios”
14 de nov. de 2022, 15:39
— Lusa/AO Online
“Nesta
conjuntura desafiante que estamos a enfrentar, esta coligação não está à
altura deste desafio, seja do ponto de vista do respeito e da
dignificação das instituições, seja na capacidade de planear e definir
medidas”, apontou o dirigente socialista, no arranque das jornadas
parlamentares do PS/Açores, a decorrer na Horta.Vasco
Cordeiro referia-se às propostas de Plano e Orçamento para 2023 que o
Governo Regional, liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro,
apresentou no parlamento açoriano, e que serão discutidas e votadas em
plenário na próxima semana, considerando que o executivo não se pode
limitar a reforçar os apoios sociais.“Ajudar
as famílias e as empresas a ultrapassarem esta situação de turbulência,
não pode ser feito apenas por aí. Porque a consequência de ser feito
como este governo pretende fazer, é uma fragilização do tecido económico
e social da nossa região. É a criação de mais dependências”, insistiu o
líder parlamentar socialista.Na sua
opinião, a atual conjuntura de crise obrigaria o Governo Regional a
criar medidas adicionais para combater o aumento da inflação, mas
sobretudo o aumento das taxas de juro nos créditos à habitação, que
poderá implicar que cada família tenha de pagar “mais 270 euros por mês
por cada 100 mil euros de empréstimo”.“A
par dos apoios conjunturais, deveria haver a criação de condições e de
investimento para o reforço dos serviços públicos, na área da Saúde, por
exemplo, na área da Educação”, defendeu Vasco Cordeiro, salientando que
só assim é possível ajudar as famílias e as empresas a enfrentar a
crise.O dirigente socialista criticou, por
outro lado, o presidente do Governo Regional por ter admitido a
possibilidade de, caso se justifique, o executivo vir a apresentar um
orçamento retificativo no próximo ano, para compensar os efeitos da
crise inflacionista no arquipélago.“Esta
coligação e os partidos que a apoiam e sustentam, vão fazendo a
governação dos Açores por tentativa e erro. Agora vamos apresentar este
orçamento, mas se isto não correr muito bem, apresentaremos um orçamento
retificativo a seguir”, lamentou Vasco Cordeiro.O
líder do grupo parlamentar do PS, que é também líder regional do
partido, denunciou ainda a “baixa taxa de execução” do atual governo em
relação a este ano, para concluir que o executivo de coligação “apregoa
milhões e executa tostões”.“A três meses
do final o ano, o Governo ainda nem conseguiu executar metade das verbas
que tinha previsto executar este ano”, recordou Vasco Cordeiro,
referindo-se à taxa de execução do 3.º trimestre de 2022 que, em seu
entender, “dá bem nota da incapacidade do Governo de executar e de
cumprir com aquilo a que se compromete”.Os
socialistas açorianos, que vão estar reunidos em jornadas parlamentares
até quarta-feira, na ilha do Faial, não divulgaram ainda o seu sentido
de voto em relação às propostas de Plano e Orçamento do Governo para
2023.Nos dois primeiros orçamento da atual legislatura, de 2021 e 2022, os socialistas votaram contra os dois documentos.O
Orçamento Regional para 2023, de 1,9 mil milhões de euros, prevê 753,5
milhões de euros de despesa em investimento público, dos quais 641
milhões de euros são da responsabilidade direta do Governo Regional dos
Açores.O documento vai ser debatido e votado no plenário do parlamento açoriano a partir de 21 de novembro.