PS/Açores disponível para negociar Orçamento de 2027 com o Governo Regional
Hoje 09:13
— Lusa/AO Online
"A disponibilidade do Partido Socialista para negociar é total, mas essas negociações têm de ser acompanhadas com uma definição concreta de áreas, de metas, de calendário, de execução e, sobretudo, de cabimento financeiro. Não havendo essa disponibilidade, o Partido Socialista não poderá, necessariamente, dar a sua concordância a este plano e orçamento e, naturalmente, que terá uma posição negativa sobre o mesmo", afirmou.O dirigente socialista falava, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, à saída de uma reunião com o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, que está a receber os partidos e parceiros sociais a propósito da elaboração das propostas de Plano e Orçamento para 2027.O líder do maior partido da oposição na Assembleia Legislativa dos Açores ressalvou que o PS não iria antecipar qualquer sentido de voto antes de conhecer «integralmente» os documentos apresentados."Nós não podemos naturalmente indicar um sentido de voto com base numa apresentação, numa atenção ou apenas no anúncio. Na prática, nós votamos medidas, metas e garantias de execução e este ainda não é o tempo de garantir e de ter conhecimento exatamente disto que foi apresentado", alegou.Francisco César disse que o partido manifestou "disponibilidade para um diálogo responsável", mas salientou que "a disponibilidade para dialogar não é um cheque em branco", nem significa que o partido "se reveja nesta governação"."O Partido Socialista não se revê nesta governação nem nos resultados desta governação, muito menos nos orçamentos anteriores nem nos resultados que produziram", vincou.O Plano e Orçamento da Região para 2026 foram aprovados com os votos dos três partidos da coligação e com a abstenção de PS e Chega.O líder regional socialista salientou, no entanto, que a votação de 2026 foi «excecional», tendo em conta a necessidade de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)."O Partido Socialista não poderá nunca viabilizar um orçamento de 2027 que seja apenas um orçamento de continuidade e, portanto, para haver conversas, para haver diálogo, para haver negociação, há matérias que são, para nós, fundamentais", frisou.Francisco César apontou três "desafios" que terão de ser abordados nas negociações: o aumento do custo de vida dos açorianos, a estagnação da economia regional e a necessidade de equilíbrio das contas públicas regionais.Para o líder do PS o aumento dos custos dos combustíveis, dos bens alimentares, dos transportes terrestres, da habitação e das despesas dos estudantes deslocados «devem ter especial atenção neste plano e neste orçamento».Por outro lado, o dirigente socialista alertou para a estagnação da economia açoriana e para as dificuldades de alguns setores específicos, como o turismo, a agricultura e as pescas."A economia regional está praticamente estagnada, com o crescimento económico perto de cerca de 0,2%. Há cerca de dois anos, este valor estava nos 4%. Isto quer dizer que a associar a todos estes problemas no turismo, na agricultura, nas pescas, na própria atividade económica, nós estamos a ter uma estagnação. E isso terá, mais cedo ou mais tarde, impacto no emprego e no rendimento das famílias", avisou.Francisco César defendeu ainda que "é necessário haver um equilíbrio nas contas públicas regionais", alegando que a região tem um problema de défice, de dívida e de pagamentos em atraso na administração pública."Estamos disponíveis para apresentar propostas a este Governo, mas que sejam garantidas do ponto de vista da sua capacidade para serem sustentáveis do ponto de vista orçamental. Mas o Governo também deve ter uma política clara, eficaz, de contenção da sua despesa pública e de capacidade de cumprir com aquilo que está no orçamento", sublinhou.A discussão e votação do Plano e Orçamento dos Açores para 2027 vão acontecer em novembro na Assembleia Legislativa Regional, na cidade da Horta, na ilha do Faial.