PS/Açores denuncia “práticas laborais desadequadas” no turismo
12 de out. de 2018, 18:30
— Lusa/AO Online
André
Bradford, após um encontro de deputados regionais socialistas com a
Inspetora Regional do Trabalho, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel,
declarou que “se continua a usar um conjunto de práticas laborais
desadequadas, com trabalhadores não declarados e recurso a mão-de-obra
que não beneficia de todas as prerrogativas de que deve beneficiar, e
que é mal paga”.“Não
se admite que o setor económico da região, que tem maior crescimento
não consiga, há dois anos, um acordo entre empresários e trabalhadores,
no sentido de haver uma atualização da tabela salarial”, disse o
parlamentar, citado em nota de imprensa.O
líder dos parlamentares socialistas recordou que, “ainda em agosto, a
nível nacional foi possível um acordo que permite um aumento de 6,7%
para os trabalhadores do setor do turismo e da restauração”, enquanto na
região há trabalhadores que não têm “a sua parte justa do aumento de
lucros que se tem verificado na área”.O
responsável político referiu, entretanto, que foram detetados pela
Inspeção Regional do Trabalho 460 trabalhadores em “situação irregular,
trabalhadores não declarados, contratos a termo irregulares e falsos
recibos verdes”, valores que comprovam “a importância da ação da
inspeção” e a “necessidade de sensibilização dos empresários, em vários
setores”.Para o
dirigente a Inspeção Regional do Trabalho tem um “papel cada vez mais
decisivo, no combate ao trabalho precário, não declarado e irregular e
também na promoção da lei laboral”.André
Bradford declarou que a Inspeção Regional do Trabalho “é o último
recurso do sistema e não substitui o dever que patrões e trabalhadores
têm perante a lei”.O
líder da bancada socialista recusou que é “por falta de atividade da
Inspeção Regional do Trabalho que há incumprimento da lei”, adiantando
que, além de “quem faz a lei” e de “quem fiscaliza”, a responsabilidade
primeira cabe a “quem a deve cumprir, que são os empresários e os
trabalhadores”.“O
incumprimento da lei existe porque quem a deve cumprir não cumpre,
porque, muitas vezes, há consciência de como é que se deve fazer, mas
não se faz. Portanto, é preciso fazer um trabalho conjugado que não
fique só à espera da exceção - que é a fiscalização que deteta problemas
-, mas que se foque mais na prática corrente do dia-a-dia e no
cumprimento da lei”, disse.