PS/Açores defende que Governo Regional deve adiantar verbas em atraso a IPSS
Hoje 09:37
— Lusa/AO Online
“O
Governo Regional deve pressionar o Governo da República para que pague
aquilo que deve, por forma a que o Governo Regional possa pagar aquilo
que ele deve às IPSS”, afirmou, em declarações aos jornalistas, o líder
regional socialista, acrescentando que até lá o executivo deve “adiantar
junto das IPSS o valor que está em falta”.Francisco
César falava na Praia da Vitória, na ilha Terceira, à saída de uma
reunião com a direção da União Regional de Instituições Particulares de
Solidariedade Social dos Açores (URIPSSA).Em
causa está a atualização de 2025 dos valores transferidos para as IPSS e
Misericórdias ao abrigo dos acordos de cooperação pela prestação de
serviços sociais.No continente, os
montantes foram atualizados em 4,9% em março e pagos, com retroativos a
janeiro, no mês de abril, mas nos Açores foi transferida apenas uma
verba de 1,7 milhões de euros para centros de convívio, creches e
ateliês de tempos livres.Numa altura em
que há IPSS que dizem não ter como pagar o subsídio de Natal aos
trabalhadores, Francisco César, que é deputado à Assembleia da
República, anunciou que iria chamar a ministra do Trabalho ao parlamento
para prestar esclarecimentos. No entanto, frisou que o contrato com as
instituições é assinado pelo Governo Regional.“É
importante resolver o assunto. O Governo Regional não consegue resolver
o assunto, nós vamos fazer o que achamos que o Governo Regional devia
fazer: reivindicar, exigir, pedir explicações na República”, apontou.O
presidente do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, alega que sem
autorização do Governo da República, o Instituto de Segurança Social dos
Açores (ISSA) não pode transferir as verbas em falta, por isso o PS vai
apresentar uma proposta no Parlamento açoriano para o permitir.“O
senhor presidente do Governo diz que está de mãos atadas. Nós vamos
tentar desatar este nó nos Açores. Na assembleia regional vamos
apresentar um mecanismo para que o Governo Regional possa estar
mandatado para cumprir aquilo que assinou com as IPSS, que é pagar
aquilo que deve”, adiantou o líder do PS/Açores.Francisco
César considerou que o Governo Regional que foi “tão vocal em contestar
governos da República anteriores”, não está a fazer a “pressão
necessária" para que "paguem o que sempre pagaram".“O
que se espera é que pelo menos reivindique. Até agora só ouvimos
algumas críticas baixinhas, de forma a que não cheguem à República”,
acusou.O líder do PS/Açores lembrou que as
instituições já tinham alertado para este problema em setembro,
acusando o Governo Regional de o ter ignorado e a secretária regional da
Solidariedade Social de não ter tido “capacidade sequer para apresentar
um caminho”.“O senhor presidente do
Governo reuniu muito recentemente com o senhor primeiro-ministro e teve
uma participação dita histórica num Conselho de Ministros. Eu só o ouvi
cantar vitória e dizer que tinha sido um acontecimento extraordinário.
Não ouvi falar uma única vez deste problema”, salientou.Quanto
à impossibilidade legal de adiantar as verbas às IPSS, o dirigente
socialista alegou que o executivo interveio de forma diferente noutra
situação.“Não era o Governo Regional que
tinha de pagar aos trabalhadores da Base das Lajes quando não receberam o
seu salário. A lei não permitia que o Governo Regional tivesse essa
relação com eles, porque a relação com eles era do Estado americano. Mas
foi o Governo Regional e o senhor vice-presidente, e bem, que conseguiu
salvaguardar o problema de um mês”, exemplificou.