PS/Açores critica “passividade” do Governo Regional sobre mecanismo de continuidade territorial
Hoje 18:10
— LUSA/AO Online
“Tem existido uma passividade completa do
Governo Regional dos Açores. O Governo Regional dos Açores, desde o
início, disse que era a favor do fim dos tetos. Entretanto, anunciou um
conjunto de soluções que não se concretizaram, nomeadamente da entrada
em funcionamento dos CTT para o reembolso aos residentes”, disse hoje
Francisco César em conferência de imprensa, em Ponta Delgada, na ilha de
São Miguel.Segundo o socialista, o que
tem vindo a acontecer é que, perante a “reiterada inatividade ou
incompetência do Governo da República, o Governo Regional dos Açores tem
optado pelo silêncio”.“Não confronta
Lisboa, não informa devidamente os açorianos como é a sua obrigação, nem
apresenta um calendário para resolver este problema, como seria [a] sua
obrigação, falando com o Governo da República”, disse.Francisco
César falava a propósito do “incumprimento reiterado e sucessivo” do
mecanismo de continuidade territorial, o antigo subsídio social de
mobilidade, por parte da República, passado mais de um mês desde a
entrada em vigor da lei que foi aprovada pela Assembleia da República e
que estabelece as novas regras.Segundo o
dirigente, a lei entrou em vigor no dia 06 de junho, mas os residentes
nos Açores “continuam sem conseguir receber os reembolsos de acordo com
as novas regras”, nomeadamente no que diz respeito ao antigo teto dos
600 euros e relativamente aos CTT, organismo a quem foi delegado prestar
um serviço paralelo à plataforma.Para o
PS/Açores, quando a República prejudica os açorianos, o dever do Governo
Regional é “defender a região e não defender ou proteger relações
partidárias”.“Neste caso, o Governo
Regional dos Açores e o seu presidente [o social-democrata José Manuel
Bolieiro] preferiram a submissão à defesa dos interesses dos Açores”,
criticou.O líder dos socialistas açorianos
referiu que o partido não está parado e manifesta a sua “total
solidariedade com todos os açorianos que continuam à espera dos seus
reembolsos”.“O que está a acontecer, na
prática, é que os açorianos estão a financiar a desorganização e a má-fé
do Estado português, neste caso do Governo da República. Isto é, o
incumprimento da lei”, alegou.Na sua
opinião, não é aceitável dizer aos açorianos que “têm que esperar ou
pela atualização de uma plataforma, ou por contratos com os CTT ou
instruções aos CTT, ou por alguma regulamentação que não cabe, nem é
necessária, de acordo com a lei que foi publicada”.Depois
de referir que o Governo da República “nunca escondeu que discordava
das alterações aprovadas pela Assembleia da República”, considera
necessário que esclareça se o processo “está simplesmente atrasado”, se é
“incompetente ou se está a tentar neutralizar administrativamente uma
lei com a qual não concorda”.O PS/Açores
através do seu líder, também deputado à Assembleia da República,
requereu a audição urgente dos ministros da Presidência, das
Infraestruturas e da secretária de Estado da Mobilidade para
esclarecerem “o porquê de não estarem a cumprir a lei”.Entre
outras diligências, Francisco César também já apresentou queixa ao
Provedor de Justiça e pediu-lhe uma audiência “para garantir que a lei é
cumprida”.Na quarta-feira, também pediu
uma audiência ao Presidente da República, para apresentação de
cumprimentos, mas “um dos assuntos que será levado será o incumprimento
reiterado da parte do Governo da República da aprovação de uma lei
apresentada na Assembleia da República”, adiantou.O
PS vai ainda, entre outras iniciativas, questionar o Governo sobre o
contrato que existe com a plataforma de subsídio social de mobilidade e
solicitar o contrato com os CTT para saber se é o Estado que está a
falhar ou a empresa.O Governo prolongou
até junho de 2027 o apoio presencial dos CTT no pagamento dos reembolsos
do mecanismo de continuidade territorial para os residentes nos Açores e
na Madeira, segundo uma portaria publicada em junho em Diário da
República.Em março de 2025, o executivo
definiu um novo modelo de atribuição do então subsídio social de
mobilidade (agora designado de mecanismo de continuidade territorial),
criando uma plataforma eletrónica para que os passageiros dos Açores e
da Madeira pudessem fazer o pedido de reembolso das passagens de forma
digital