PS/Açores critica aumento das desigualdades entre ilhas e caos nos transportes
10 de jul. de 2025, 15:59
— Lusa/AO Online
Durante
um debate urgência proposto pelo PS na Assembleia Legislativa dos
Açores, sobre os “desafios e entraves à coesão económica, social e
territorial”, a líder parlamentar socialista criticou a atuação do
executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) na educação, saúde, pescas, combate
às drogas, agricultura, transportes, turismo e na gestão das contas
públicas.“A coesão territorial não se faz
com discursos de circunstância ou visitas protocolares. Faz-se com
ligações regulares, transportes marítimos e aéreos fiáveis, serviços
públicos disponíveis em todas as ilhas e com investimentos que não
deixem ninguém para trás”, afirmou Andreia Cardoso durante o plenário da
Assembleia Regional, na Horta.A
socialista considerou o “caos vivido nos transportes marítimos e aéreos”
como o “maior obstáculo ao desenvolvimento económico” da região e
acusou o Governo Regional de “andar de promessa em promessa, de
adiamento em adiamento, de desculpa em desculpa” no processo de
recuperação do hospital de Ponta Delgada.“Um
governo que falha no dever de promover uma região onde todas as ilhas
contam, é um governo que cria desigualdades quando devia combatê-las”,
afirmou.Na discussão, o secretário
regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades lembrou a criação da
Tarifa Açores, o reforço dos apoios sociais e o fretamento dos navios
“Thor” e “Margareth” para o Corvo e Flores.Paulo
Estêvão elencou investimentos realizados nas várias ilhas, como o
aumento dos cuidados de saúde” no Pico, a “renovação da rede escolar” na
Graciosa ou o reforço do programa de apoio à natalidade em Santa Maria.“Em
São Miguel e na Terceira, ilhas com maior peso populacional, aplicámos
critérios de equidade nos investimentos, sem cair na tentação de
esquecer o resto da região. Porque a integração regional também exige
equilíbrio — e, por vezes, saber dizer não ao excesso”, defendeu.A
secretária do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas interveio para
destacar que o executivo regional está a fazer uma “grande reforma” no
transporte marítimo, o que exige “coragem”, mas também “cuidado” para
não comprometer o abastecimento.Já José
Pacheco, do Chega, alertou para a “falta de coesão” no interior de São
Miguel e acusou o Governo dos Açores de “ter medo de enfrentar os
cartéis instalados”.O líder parlamentar do
PSD/Açores, Bruto da Costa, reconheceu que existem “muitos desafios” na
coesão regional devido a “todos os problemas deixados pelo PS ao longo
de 24 anos de governação” (1996 a 2020).Catarina
Cabeceiras (CDS-PP) também elogiou o Governo Regional, ao considerar
que “nunca houve um esforço tão claro para combater o isolamento e
reforçar a equidade”, tal como João Mendonça (PPM), que criticou a
“herança muito pesada” deixada pelo PS.O
deputado único do BE, António Lima, apontou a “pobreza, a desigualdade e
os baixos salários” como os maiores obstáculos à coesão, lamentando a
diminuição de funcionários públicos nos últimos quatro anos.Por
sua vez, o liberal Nuno Barata avisou que os Açores registaram o
“quarto pior índice de desenvolvimento regional em 2023 do país” e
apelou para que não se limite o desenvolvimento de São Miguel, maior
ilha açoriana que enfrenta problemas de “pobreza, indigência e
degradação da habitação”.