PS/Açores com proposta para integrar trabalhadores de empresas públicas a extinguir
18 de jan. de 2021, 15:51
— Lusa/AO Online
“O
projeto de decreto legislativo regional, que hoje deu entrada na
Assembleia Legislativa, assegura que os trabalhadores de qualquer das
empresas públicas a extinguir, independentemente da natureza do vínculo
que mantenham com esta, têm assegurada a integração na administração
pública regional, desde que venham desempenhando funções que satisfaçam
necessidades permanentes nessas empresas”, afirmou a vice-presidente da
bancada parlamentar socialista Andreia Cardoso, numa conferência de
imprensa, em Angra do Heroísmo.O
secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública,
Joaquim Bastos e Silva, anunciou, aquando da discussão do programa de
Governo da coligação PSD/CDS/PPM, a intenção de extinguir a Sociedade de
Gestão Ambiental e Conservação da Natureza (Azorina), a Sociedade para o
Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA) e a fábrica Sinaga. Em
2018, o executivo anterior, do PS, deu início a um processo de
reestruturação do setor público empresarial regional, que envolveu cerca
de duas dezenas de entidades e levou à extinção de empresas como a
Sociedade de Promoção e Reabilitação de Habitação e Infraestruturas
(SPRHI), a SATA SGPS e a Sociedade Gestora de Recursos e Equipamentos da
Saúde dos Açores (Saudaçor).Para a
vice-presidente da bancada parlamentar do PS, o processo de
reestruturação anterior foi “profundo e amplo” e “não havia necessidade”
de extinguir a SDEA e da Azorina.“Parece-nos
precipitado avançar com a extinção destas duas empresas. Contudo, foi
essa a decisão do Governo e o que é para nós fundamental é que, apesar
dessa decisão, fiquem salvaguardados os direitos dos trabalhadores”,
salientou.Segundo Andreia Cardoso, ao
contrário do que aconteceu no anterior processo de reestruturação, a
intenção da extinção das empresas agora anunciada pelo novo executivo
regional “não veio acompanhada da garantia de salvaguarda dos postos de
trabalho”.“Para o Partido Socialista, a
reestruturação ou extinção das empresas públicas não pode significar
despedimentos. Neste sentido, impõe-se, na defesa dos direitos dos
trabalhadores, definir um quadro legal que assegure a manutenção do
direito ao trabalho, através da respetiva integração nos quadros da
administração pública regional, da totalidade dos colaboradores das
empresas públicas regionais que venham a ser extintas”, frisou.A
deputada socialista deu como exemplo o caso da Azorina, em que se forem
integrados apenas os trabalhadores com contrato por tempo indeterminado
serão abrangidos 122 funcionários, ficando de fora 39 trabalhadores com
contrato a termo e 27 ao abrigo de projetos específicos financiados
pela União Europeia.“O projeto de decreto
legislativo regional aplica-se a todos os trabalhadores: aos
trabalhadores com contrato de trabalho [por tempo indeterminado e a
termo resolutivo], aos colaboradores em regime de prestação de serviços e
ao pessoal ao abrigo de programas de inserção socioprofissional que vêm
desempenhando funções que satisfaçam necessidades permanentes, nas
empresas públicas regionais que venham a ser extintas”, apontou.