PS/Açores chama secretário dos Transportes a audição sobre transportes marítimos
12 de ago. de 2021, 07:19
— Lusa/AO Online
Num
comunicado enviado, o PS/Açores diz que “discorda frontalmente do
modelo que este Governo Regional propôs, unilateralmente, para a
operação de transporte marítimo de viaturas e passageiros” na região nos
próximos anos” e anuncia que “requereu a audição, com caráter de
urgência, na Comissão de Economia do parlamento açoriano”.Depois
de críticas de estruturas partidárias de ilha e regionais, bem como de
autarquias, o Governo Regional disse, na terça-feira, que “em momento
algum foram desconsideradas as ilhas das Flores e de Santa Maria, ou
qualquer outra ilha” no concurso aprovado na quinta-feira para o
transporte marítimo de passageiros e viaturas na região.O
concurso deixa as ilhas do grupo oriental, São Miguel e Santa Maria,
sem serviço público de transporte marítimo de passageiros e viaturas,
porque a operação sazonal foi restrita às ilhas do grupo central (Faial,
Pico, São Jorge, Terceira e Graciosa).Segundo
a mesma resolução, as ilhas do grupo ocidental, Flores e Corvo,
continuam a ter ligação regular entre si, apenas para transporte de
passageiros, mas a operação sazonal que ligava as Flores ao resto do
arquipélago, e que permitia o transporte de viaturas, também será
suprimida.O
executivo (PSD/CDS-PP/PPM) destacou que promove “uma aposta clara na
mobilidade dos açorianos e na criação de um verdadeiro mercado interno”.De
acordo com o Governo, as soluções diferem entre ilhas, estando prevista
uma alternativa à operação sazonal de transporte, através de uma
ligação de transporte entre o Faial, Flores e Corvo, garantida pela
empresa que faz o transporte de mercadorias, mas que passará também
transportar passageiros e viaturas a partir de 17 de agosto.Para
o grupo oriental, o executivo quer reforçar as ligações aéreas entre as
duas ilhas e admite manter as ligações marítimas “em moldes
diferentes”, recorrendo a operadores privados e a recursos próprios da
região.Na
nota enviada, a primeira tomada de posição do PS/Açores sobre o
assunto, depois de os secretariados de ilha de Santa Maria, São Miguel e
Corvo se terem pronunciado, o vice-presidente da bancada parlamentar
socialista, Miguel Costa, fala em “decisões inacreditáveis, do ponto de
vista técnico e prático, para quem conhece minimamente a região e o
modelo de transporte marítimo”.“Como
é que é possível justificar o fim da operação para as Flores pelas
condições do porto, quando a obra da ponte cais ficará pronta no início
do próximo ano e a rampa Ro-Ro deverá ficar pronta até ao verão”,
questionou o socialista, lembrando que os investimentos foram iniciados
pelo anterior Governo do PS, precisamente para se poder retomar o
transporte de mercadorias, de passageiros e viaturas”.Para o deputado, a “suspensão do serviço para as ilhas de São Miguel Santa Maria é igualmente lesiva dos interesses da Região”.“Não
se compreende como é que este Governo, que tanto advoga o mercado
interno, opta por extinguir a Linha Amarela da Atlanticoline, isolando
as ilhas de São Miguel, Santa Maria e Flores das ligações marítimas
sazonais e, com essa decisão, coloca também à margem as ilhas do Grupo
Central, que perdem esta via de acesso a mais de 50% do mercado
regional”, prosseguiu.Miguel
Costa considerou ainda que “este modelo acaba com o transporte de
viaturas e com o transporte de carga rodada, com graves prejuízos para
as famílias açorianas, aumentando os seus custos, prejudicando a
economia dos Açores”.É um “verdadeiro ataque à coesão regional”, vincou.O
concurso público em causa prevê a "celebração do contrato de
fornecimento do serviço público de transporte marítimo regular de
passageiros e de viaturas entre as ilhas do Faial, Pico e São Jorge e de
passageiros entre as ilhas das Flores e do Corvo" e o transporte
marítimo sazonal de viaturas e passageiros entre as cinco ilhas do grupo
ocidental.O
contrato, com um preço base de 18 milhões de euros, tem um "prazo de
dois anos, com possibilidade de prorrogação por um período máximo de 12
meses".O
Governo esclareceu na terça-feira que, quanto à ligação entre São Miguel
e Santa Maria, pretende “disponibilizar mais ligações aéreas entre
estas duas ilhas”, sendo que “a SATA estará em condições de assegurar
estas ligações, em muito maior escala, no próximo verão”.Por
outro lado, planeia manter as ligações marítimas “recorrendo a
operadores privados, quer através da utilização dos recursos próprios da
região”.Desta
forma, evita-se “o enorme prejuízo anual, superior a 10 milhões de
euros, que resulta das condições em que foi realizado o fretamento de
navios em períodos anteriores”.