PS/Açores apela a que Governo da República pague salários em atraso aos trabalhadores da Base das Lajes
24 de out. de 2025, 10:31
— Lusa/AO Online
“O Estado deve assumir os
salários em atraso e garantir o reembolso posterior. O que está em causa
é o sustento de dezenas de famílias e a estabilidade de uma comunidade
inteira”, afirmou o dirigente socialista, citado em comunicado de
imprensa.Os trabalhadores portugueses na
Base das Lajes receberam o último vencimento com cortes, a 17 de
outubro, e já foram informados de que não deverão receber o próximo, que
seria pago a 27 de outubro, devido à paralisação parcial da
administração norte-americana.Para o líder
regional do PS, é “urgente” que o Governo português siga o exemplo dos
executivos alemão e espanhol, que decidiram pagar os salários aos
funcionários de bases militares nos seus países, enquanto os Estados
Unidos não o fazem.“Na Alemanha, o governo
decidiu assumir os salários de cerca de 11 mil funcionários das bases
norte-americanas através de uma despesa extraordinária que é uma
autorização temporária do Estado que permite pagar de imediato os
trabalhadores, sendo depois reembolsado pelos Estados Unidos. Em
Espanha, o governo fez o mesmo nas bases de Rota e Morón, criando um
plano de contingência para assegurar que ninguém ficasse sem
rendimento”, apontou.Francisco César, que é
também vice-presidente do grupo parlamentar do PS na Assembleia da
República, considerou que a situação dos trabalhadores da Base das Lajes
é “inaceitável e profundamente injusta”.“Estamos
a falar de famílias açorianas que dependem inteiramente destes
rendimentos, numa ilha onde a economia é limitada e cada salário conta”,
alertou.Para o dirigente socialista, os
mais de 400 funcionários portugueses da Base das Lajes “não podem ser
tratados como números de um contrato internacional, sem respostas nem
garantias”.“Estes trabalhadores são parte
integrante da comunidade terceirense, sustentam o comércio local, pagam
as suas casas e fazem a economia girar”, sublinhou.Francisco
César salientou que a presença de trabalhadores portugueses na Base das
Lajes decorre de um acordo internacional entre o Estado português e a
administração americana.O deputado
socialista, que já tinha apresentado um requerimento na Assembleia da
República a questionar o Governo sobre esta situação, criticou o
silêncio do executivo.“Já passaram semanas
desde o início do problema e o silêncio do Governo é incompreensível.
Os trabalhadores da Base das Lajes merecem respeito e proteção do seu
próprio país. O Governo português não pode continuar a assistir, à
distância, ao que se passa numa das suas regiões mais periféricas”,
frisou.