PS/Açores alerta para impactos da quebra no turismo e pede implementação do fundo de rotas
20 de jul. de 2026, 17:41
— Lusa/AO Online
“Este
é um dos setores de ponta da região, um pilar da economia regional.
Quando temos menos turistas, a economia sofre. Sofrem os hotéis, os
alojamentos locais, sofre a restauração e sofrem todos aqueles que fazem
parte da conta satélite do turismo. Isso pode ter impactos a prazo na
economia regional, no emprego e nas remunerações”, afirmou Francisco
César aos jornalistas.O também deputado
socialista na Assembleia da República falava após uma reunião em Ponta
Delgada com a Visit Azores, associação responsável pela promoção
turística da região.Francisco César
defendeu que o PS/Açores está a “tentar resolver o problema”, lembrando a
proposta do partido para a criação de um fundo para a captação de rotas
aéreas, aprovada na Assembleia Regional a 20 de maio.“A
proposta do PS faz todo o sentido e é necessária que rapidamente entre
em funcionamento. Nós fizemos o nosso papel. O máximo que podemos fazer
como partido da oposição é apontar o caminho, aprovar a legislação e
depois depositar no Governo [Regional] ou na Visit Azores a sua
capacidade de concretizar”, disse. O
Decreto Legislativo Regional que cria o Fundo de Desenvolvimento de
Rotas Aéreas dos Açores (FDRAA) foi publicado a 18 de junho em Diário da
República, estabelecendo um novo instrumento para apoiar o arranque de
novas rotas aéreas diretas para a região."O PS, mais do que um partido de oposição, é um partido de construção”, afirmou o socialista.Francisco
César defendeu a necessidade de reforçar a promoção turística e de
garantir acessibilidades, acusando o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM)
de “já ter deixado a Ryanair ir embora”.“Temos
problemas no setor do turismo que poderá afetar a economia regional.
Tudo o que fizermos agora, provavelmente, só terá repercussões daqui a
um ou dois anos e o papel que o PS teve ao aprovar o fundo de captação
de rotas é fundamental. Resta ao Governo [Regional] pôr isso em
prática”.Questionado sobre a nova
liderança da Visit Azores, já que Nuno Leandro assumiu a presidência da
associação em maio, Francisco César considerou que o turismo deve ser
uma “indústria reprodutiva e não extrativa”.“Quem
vier com verdades absolutas não vai correr bem. Queremos que cada
turista que cá venha deixe mais. Mas nós temos uma capacidade instalada.
Queremos é ter o maior número de turistas que deixem cada vez mais
riqueza. O turismo nos Açores só funcionará se deixar retorno”,
reforçou.Os Açores registaram, pelo oitavo
mês consecutivo, uma descida no número de dormidas em alojamentos
turísticos, em maio, com uma quebra de 2,2% face ao período homólogo,
segundo dados revelados a 30 de junho pelo Serviço Regional de
Estatística (SREA).Nos primeiros cinco
meses do 2026, os Açores somaram 1,3 milhões de dormidas em alojamentos
turísticos, o que representou uma diminuição de 5,6% face ao período
homólogo.Perante os dados, a Câmara do
Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) reiterou “profunda
preocupação” com a quebra no turismo, pedindo uma “mudança de rumo” e
uma “estratégia mobilizadora”.