PS/Açores alerta para falha nos pagamentos aos agricultores, Governo Regional nega
Hoje 15:04
— Lusa/AO Online
“O
Governo Regional decidiu pagar apenas 44% do prémio ao abate de bovinos
relativo ao segundo semestre de 2025, quando estava previsto o pagamento
integral”, explicou a deputada socialista Patrícia Miranda, em
comunicado, acrescentando que esta postura do executivo representa, na
prática, “um rateio à falsa fé”, que pode comprometer a confiança dos
agricultores açorianos.Segundo a
parlamentar socialista, o Governo liderado pelo social-democrata José
Manuel Bolieiro assumiu o compromisso de pagamento a 100% desses apoios
no dia 30 de abril, “gerando expectativas legítimas nos produtores”, mas
a poucos dias da data prevista “alterou as regras” e aplicou um “corte
significativo”, limitando o apoio a um máximo de dez animais por
produtor.“Esta decisão não resulta de
qualquer constrangimento técnico, mas sim de uma opção política
deliberada, que contraria a narrativa assumida pelo próprio Governo de
que os rateios no setor agrícola estariam ultrapassados”, insistiu
Patrícia Miranda, recordando que, na prática, “foram retidos mais de 3,8
milhões de euros que deveriam ter sido pagos aos agricultores”.Para
a deputada do PS, esta decisão assume maior gravidade tendo em conta o
contexto atual vivido pelo setor, marcado pelo aumento dos custos de
produção, nomeadamente com fertilizantes, pela recente subida do gasóleo
agrícola e pela instabilidade dos mercados, fatores que pressionam
fortemente a tesouraria das explorações agrícolas.O
secretário regional da Agricultura e da Alimentação, António Ventura,
garantiu, no entanto, que os pagamentos dos prémios não foram pagos na
sua totalidade, até 30 de abril, apenas por questões “administrativas”,
mas assegurou que os agricultores não vão perder “um cêntimo” dos apoios
a que têm direito.António Ventura acusou o
PS de querer “lançar o pânico” no setor agrícola e disse que os
socialistas “deviam ter vergonha” de falar em rateios no pagamento de
apoios, prática que era comum durante os governos geridos pelo PS, que
deixou o poder em 2020.