PS/Açores alerta para “desnorte estratégico” e “caos operacional” na SATA
11 de jun. de 2024, 14:55
— Lusa/AO Online
“O
Governo Regional dos Açores, e em particular o seu presidente, José
Manuel Bolieiro, que não está aqui hoje, não pode continuar a
esconder-se perante este desnorte estratégico e caos operacional [na
SATA]”, afirmou o socialista Carlos Silva.O
deputado falava durante um debate de urgência sobre a situação
operacional da SATA, solicitado pelo PS/Açores, no plenário da
Assembleia Regional, na Horta.O
parlamentar socialista disse ser urgente nomear um novo conselho de
administração, considerando “não ser aceitável que um grupo estratégico
para região” esteja sem presidente “há mais de 70 dias”.“É
urgente encontrar e nomear um novo conselho de administração, que dê
estabilidade, que recupere a paz social entre os trabalhadores e
assegure que o grupo SATA continua a servir os Açores”, salientou.Carlos
Silva alertou ainda que a demora na nomeação de uma nova administração é
“danosa para o futuro do grupo” e que a “degradação dos resultados e da
operação da SATA nunca foi tão grave”.“Só
nos últimos três anos, o grupo SATA acumulou 130 milhões em prejuízos, o
que representa um agravamento face à média anual dos anos da governação
socialista e, igualmente relevante, um desvio significativo face ao
estimado no plano de reestruturação”, avisou.O
socialista elogiou, por outro lado, a “resiliência” dos trabalhadores
da SATA perante o “autêntico calvário” vivido nas últimas semanas devido
à “incerteza na realização dos voos”.No
debate, o social-democrata Paulo Simões criticou os anteriores governos
regionais do PS devido a ingerências na gestão da SATA, que
provocaram “prejuízos consecutivos” na companhia aérea entre 2013 e
2019.“A razão pela qual estamos aqui a
discutir os problemas da SATA é porque foram demasiados anos de
incompetência dos governos do PS a gerir um dos maiores ativos dos
Açores”, declarou o deputado do PSD.José
Pacheco, do Chega, corroborou as críticas aos executivos regionais do PS
que “afundaram a SATA” e falou de milhões de euros direcionados para
“servir a clientela socialista”.“O PS é o maior coveiro da SATA”, acusou o líder do Chega nos Açores.A
líder parlamentar do CDS-PP, Catarina Cabeceiras, considerou que a SATA
“nunca serviu tanto os açorianos como hoje”, elogiando o “feito
inédito” de a administração ter “prestado contas durante uma situação
crítica”, referindo-se à conferência de imprensa de 04 de junho.Pelo
BE, António Lima exigiu a divulgação do plano de negócios do grupo,
acusando o Governo Regional de “enterrar a SATA” e desafiando a tutela a
esclarecer o empréstimo contraído à JP Morgan, que “significa encargos
anuais superiores a 13%” para a transportadora aérea.Na
resposta, o secretário das Finanças, Duarte Freitas, revelou que o
empréstimo foi exigido pela Comissão Europeia para “comprovar que a SATA
podia ir ao mercado sem o aval do Governo Regional”.O
liberal Nuno Barata alertou para ingerências do executivo açoriano na
empresa, uma vez que o quórum no conselho de administração da SATA é
“assegurado por dois membros do gabinete” do governo açoriano.Antes, o executivo açoriano tinha garantido que a operação da SATA Air Açores já está "totalmente reposta".