PS/Açores alerta para constrangimentos na Unidade de Saúde da Ilha Terceira
10 de abr. de 2023, 16:50
— Lusa/AO Online
“Muitas
das situações que colocam constrangimento na atividade assistencial e
na gestão da Unidade de Saúde da Ilha Terceira são comuns ao Hospital de
Santo Espírito da Ilha Terceira, nomeadamente questões orçamentais.
Foi-nos reportada, por parte do conselho de administração, a dificuldade
em fazer face ao momento que atravessamos”, adiantou o deputado
socialista Tiago Lopes, em declarações aos jornalistas, no final de uma
reunião com o conselho de administração da USIT.Segundo
Tiago Lopes, que foi diretor regional da Saúde no anterior executivo
açoriano, os constrangimentos orçamentais estão a criar “sérias
dificuldades” à unidade de saúde de ilha para dar resposta a protocolos
com casas do povo, que permitem a descentralização dos cuidados de saúde
pelas diferentes freguesias da Terceira.O
deputado socialista lembrou que o partido já tinha alertado, na
discussão do Plano e Orçamento para 2023, para a necessidade de reforço
de verbas na área da Saúde.“A dotação
orçamental que estava na proposta apresentada pelo Governo
[PSD/CDS-PP/PPM] era manifestamente insuficiente para fazer face quer à
crise inflacionista, quer àquilo que já era expectável, que era o
aumento da massa salarial, por via dos aumentos da função pública”,
apontou.Tiago Lopes disse que existem,
atualmente, três freguesias no concelho de Angra do Heroísmo sem núcleo
de saúde familiar (Porto Judeu, Posto Santo e Terra Chã), mas ressalvou
que há, com a nova titular da pasta da Saúde, uma “perspetiva diferente”
de retoma do núcleo da Terra Chã.O
deputado alertou, por outro lado, para a falta de assistentes técnicos,
que também impedem a abertura de núcleos de saúde familiar nas
freguesias.“Já no ano passado tinham
solicitado a abertura de vagas para assistentes técnicos e não foi
autorizado, nem no ano passado, nem este ano”, afirmou, alegando que o
conselho de administração “não especificou” o número de funcionários em
falta.Quanto ao número de médicos de
medicina geral e familiar, Tiago Lopes reconheceu que “foram contratados
médicos” nos últimos dois anos, mas disse que “não foram os suficientes
para fazer face às saídas”.“Há uma
necessidade de adaptar o número de vagas para fazer face às saídas que
são previsíveis. Por exemplo, no Centro de Saúde da Praia [da Vitória]
foi-nos reportado que este ano irão reformar-se pelo menos mais três
médicos de medicina geral e familiar, que irão colocar a descoberto
muitos utentes que irão ficar expectavelmente sem médico de família”,
avançou.“Isso era uma situação que já era
conhecida e que deveria ter sido reportada ou vertida no âmbito do
recrutamento que foi aprovado para este ano”, acrescentou.O
parlamentar socialista apontou ainda a falta de espaço para novas
valências no Centro de Saúde de Angra do Heroísmo, considerando que as
instalações da antiga escola de enfermagem já podiam estar a ser
utilizadas.“É uma solução que está a ser
pensada, quanto a nós um pouco tardiamente, porque na altura quando se
decidiu retirar daqui os funcionários da direção regional da Saúde das
instalações da antiga escola de enfermagem devia-se ter logo apostado na
dotação deste espaço para dar resposta às necessidades da Unidade de
Saúde da Ilha Terceira”, referiu.