PS/Açores aguarda de “forma serena” pelo Orçamento Regional 2026 para decidir sentido de voto
15 de set. de 2025, 15:41
— Lusa/AO Online
Como está em causa o
interesse dos Açores, Francisco César disse aos jornalistas que o
partido “aguarda, de uma forma serena, pelo Orçamento e pelo Plano de
Investimentos para se pronunciar em relação ao sentido de voto sobre o
mesmo”.O líder do PS açoriano falava no
Palácio de Sant’Ana, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, após uma
audiência com o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, no
âmbito do processo de auscultação sobre as antepropostas de Plano e
Orçamento Regional para 2026.“O PS não é
um partido que arranje problemas, é um partido que ajuda a resolver
problemas. Somos um partido de responsabilidade e cujo interesse público
é verdadeiramente o nosso único objetivo”, justificou.Também
referiu que o partido “vai ver o Orçamento e vai ver, efetivamente, se
ele cumpre um conjunto de matérias” que considera fundamentais.“Há
cerca de um ano, exatamente aqui, nós colocámos 11 medidas que eram
fundamentais para aprovar o Plano e o Orçamento. Nenhuma ou quase
nenhuma destas medidas foram aprovadas. Curiosamente, um ano depois, a
maior parte destas medidas constam do Orçamento, ou vão constar do
Orçamento” afirmou.Segundo Francisco
César, os socialistas vão analisar o documento e verificar se
efetivamente “mantém um conjunto de prioridades”, sendo a primeira, o
equilíbrio das contas públicas, a segunda a capacidade de execução de
fundos comunitários e a terceira a “capacidade de atender aquelas que
são as prioridades da região”, relacionadas com manutenção de
investimentos públicos nas áreas da economia, saúde, agricultura, pescas
e habitação.“Se estes pressupostos se
mantiverem, o PS irá ponderar o seu sentido de voto”, disse, salientando
que o partido tem a postura que “sempre teve”: “Nós não somos um
partido de protesto que gosta de falar alto apenas para a comunicação
social”.“O PS não é o Chega. Vamos ser
claros. O PS é um partido que se preocupa com a região e com o interesse
regional. Se o interesse regional implicar - e obviamente houver
resposta nesse sentido -, que o PS garanta a estabilidade política, o PS
irá garantir a estabilidade política”, garantiu.Para o líder do PS açoriano “há valores que estão acima daquilo que é o interesse partidário imediato”.“E nós temos
que ter a coragem de o fazer em determinados momentos, tal como temos a
coragem em determinados momentos de dizer que não. Já o fizemos do
passado, mas às vezes também é preciso ter coragem de dizer que sim”,
concluiu.O líder do PS açoriano também se
mostrou preocupado com um conjunto de anúncios feitos pelo Governo
Regional, com “consequência na vida das pessoas”.Acrescentou
que os Açores estão com um ciclo económico muito positivo e que a
economia cresce devido ao aumento do consumo interno e ao aumento do
turismo.Salientou ainda que a região tem
“um problema muito grave de despesa pública” e que a execução dos fundos
comunitários “já poderia estar mais avançada, quer ao nível do PRR
[Plano de Recuperação e Resiliência], quer ao nível do [programa] Açores
2030”.O Plano e o Orçamento dos Açores para 2026 vão ser discutidos e votados na Assembleia Regional em novembro.O
executivo saído das eleições legislativas antecipadas de 04 de
fevereiro de 2024 governa a região sem maioria absoluta no parlamento
açoriano e, por isso, necessita do apoio de outro partido ou partidos
com assento parlamentar para aprovar as suas propostas.PSD,
CDS-PP e PPM elegeram 26 deputados, ficando a três da maioria absoluta.
O PS é a segunda força no arquipélago, com 23 mandatos, seguido do
Chega, com cinco. BE, IL e PAN elegeram um deputado regional cada,
completando os 57 eleitos.