PS/Açores acusa governos regional e central de "brincarem" com trabalhadores da Base das Lajes
31 de out. de 2025, 16:50
— Lusa/AO Online
“Eu acho
que o Governo da República e o Governo Regional estão a brincar com os
trabalhadores, estão a gerar expectativas sobre uma coisa muito séria,
que é a vida das pessoas, o seu ordenado, e em boa verdade continua sem
acontecer nada”, afirmou o deputado socialista.Berto
Messias falava aos jornalistas à saída de uma reunião com o Sindicato
dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comércio,
Escritórios, Turismo e Transportes (SITACEHTT) dos Açores, em Angra do
Heroísmo.Os salários na Base das Lajes, na
ilha Terceira, são pagos quinzenalmente. A quinzena de 17 de outubro
foi paga com cortes e a de 27 de outubro não foi paga.Em
causa está a introdução de uma suspensão temporária e não remunerada
aplicável a funcionários públicos norte-americanos, devido à paralisação
parcial da administração norte-americana por não ter sido aprovado o
orçamento federal dos Estados Unidos.O vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur
Lima, disse que o Governo da República estava “empenhado em encontrar
uma solução para resolver esse assunto”, mas acrescentou que, se o
executivo de Luís Montenegro não o fizesse, o executivo açoriano
adiantaria os salários em atraso.“Julgo
que para o final da semana, início da semana que vem, teremos uma
solução mais consistente sobre essa matéria”, avançou Artur Lima.Na
quinta-feira, depois de ter participado numa reunião do Conselho de
Ministros, o presidente do Governo Regional, José Manuel
Bolieiro, disse, em declarações à Antena 1 e à RTP/Açores, que o Governo
se ia empenhar “em encontrar uma solução que resolva o problema de
liquidez dos trabalhadores, desde logo em contactos com a banca”.“Ouvimos
um anúncio, no mínimo estranho, do senhor presidente do Governo a dizer
que está convicto de que as coisas se vão resolver e que até têm sido
feitos contactos com a banca, sem explicar ou concretizar em que medida é
que esta referência à ajuda dos bancos é feita”, criticou Berto
Messias.O deputado socialista salientou
que, apesar dos anúncios, os trabalhadores continuam sem receber o
salário e sem saber quando o irão receber.“Já
tivemos contactos com vários trabalhadores da Base das Lajes e não
aconteceu nada. Lamento dizê-lo, mas quer o Governo da República, quer o
Governo Regional – e estamos a falar das duas maiores figuras do
Governo Regional, o presidente e o vice-presidente, – parece que estão a
brincar, porque ninguém se entende. Se diz que o Governo da República
vai pagar, porque é que não paga?”, questionou.Para o líder da bancada parlamentar socialista, devia ter sido encontrada uma solução na reunião do Conselho de Ministros.“Não
deveria sair desse Conselho de Ministros uma referência clara a isso?
Eu, se fosse presidente do Governo, não saía daquela sala sem ter essa
garantia, porque senão a coerência de discurso entre o vice-presidente, o
presidente e o Governo da República não existe”, apontou.Berto
Messias criticou ainda o silêncio do Governo da República, que desde
que a situação é conhecida, há três semanas, emitiu apenas um comunicado
com três parágrafos, a dizer que estava a avaliar soluções face ao
quadro normativo nacional vigente.“Que o
Governo Regional se queira chegar à frente e assumir essa
responsabilidade, enfim, é um direito que lhe assiste, agora não bate a
bota com a perdigota. Há aqui muitos anúncios e poucas concretizações. E
o Governo da República continua calado sobre esse assunto, sem dizer de
forma clara aquilo que vai ou não fazer”, vincou.“A
Espanha chegou-se à frente, resolveu, a Alemanha chegou-se à frente,
resolveu. E nós andamos aqui entre o Governo Regional e o Governo da
República com trocas de cartas e anúncios que depois não se concretizam
em nada”, acrescentou.O deputado
socialista lembrou que noutras situações semelhantes, em que os Estados
Unidos não aprovaram o seu orçamento, os trabalhadores portugueses da
Base das Lajes continuaram a receber e alertou para a possibilidade de
esta situação se repetir no futuro.“Desta
vez impactou, porque quem está hoje na Casa Branca não tem grandes
preocupações em salvaguardar estas questões. A forma como nós agirmos
agora, a firmeza com que agirmos agora sobre esta matéria, vai ser
determinante para precavermos situações iguais no futuro”, vincou.