PS/Açores acusa executivo de "enorme impreparação" no arranque das aulas
4 de set. de 2024, 16:03
— Lusa/AO Online
"Na
educação, quando deveríamos querer andar para a frente, quando nós
queríamos ter melhores resultados, recuperar todo o atraso que temos em
relação ao resto do país, o que se verifica é que muito provavelmente
vamos andar para trás", afirmou Francisco César à margem de uma visita à
Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira, no Corvo.Segundo o
dirigente, "são 88 os professores que faltam na região e 200 assistentes
operacionais", enquanto "os bolseiros ocupacionais, que também têm um
papel fundamental, não sabem qual será o seu futuro".
O ano letivo 2024/2025 arranca no arquipélago entre 09 e 11 de
setembro, terminando entre 20 e 27 de junho, em função do nível de
ensino.No final de agosto, a Secretaria
Regional da Educação indicou que “98,3% das necessidades docentes das
escolas para o próximo ano letivo estão colmatadas”, por haver “mais 134
professores em quadro” do que no início do ano anterior."O
presidente do governo tem dito que a região está cada vez melhor e que
está tudo bem nos Açores, e que nunca, aliás, estivemos tão bem.
Contudo, e no caso da educação, temos os piores resultados escolares do
país, temos o maior abandono escolar. E, inclusive, neste momento,
nota-se uma enorme impreparação no início do ano letivo e até alguma
imprudência ao querer começar mais cedo [as aulas]”, apontou Francisco
César.O representante criticou a ação
governativa também ao nível dos transportes escolares e dos incentivos à
fixação de professores, considerando que "a região está a ficar pior do
que estava em relação ao ano passado"."No
caso dos transportes escolares, que são fundamentais, há o risco de não
arrancarem a tempo. Não há habitação, nem incentivos para os
professores ficarem colocados nas ilhas com maiores dificuldades em
atrair docentes e tudo isto quando a própria secretária regional
anunciou a 18 de fevereiro que iria criar um sistema de incentivos",
indicou.No caso da escola do Corvo, que
hoje visitou, Francisco César disse que no estabelecimento de ensino há
"um quarto dos professores por colocar".Já
na vizinha ilha das Flores, acrescentou, falta colocar um terço dos
professores e faltam também mais de metade dos assistentes operacionais."Na verdade não está tudo bem", disse o socialista, em declarações aos jornalistas.