Próxima cimeira da UE ainda por videoconferência, mas negociações exigirão outra
Covid-19
3 de jun. de 2020, 15:13
— Lusa/AO Online
O porta-voz do presidente do Conselho Europeu
anunciou que, após consultas com os chefes de Estado e de Governo
da UE, Charles Michel decidiu que a próxima cimeira, consagrada ao Fundo
de Recuperação e próximo orçamento plurianual, ainda será celebrada à
distância, por videoconferência, devido à pandemia de Covid-19. No
entanto, acrescenta o porta-voz na sua conta na rede social Twitter,
“esta será uma preparação minuciosa para uma próxima cimeira”, a
celebrar “numa data posterior”, contando o presidente do Conselho
Europeu que essa segunda cimeira já seja então realizada “se possível”
presencialmente, em Bruxelas, o que já não sucede desde fevereiro
passado, devido à Covid-19.Sobre a mesa,
os líderes europeus terão as propostas apresentadas a 27 de maio
passado pela Comissão Europeia de um Fundo de Recuperação da economia
europeia no pós-pandemia, no montante global de 750 mil milhões de
euros, e de um Quadro Financeiro Plurianual revisto para 2021-2027, no
valor de 1,1 biliões de euros.Aquando da
apresentação das propostas, e embora dando sinais de otimismo, a maioria
dos líderes europeus comentaram que seria difícil chegar a um
compromisso entre os 27 já no próximo Conselho Europeu, dada a
complexidade das negociações, dificultadas precisamente pelo formato das
cimeiras por videoconferência, que impedem as tradicionais reuniões à
margem em busca de consensos.Como sucedeu
em fevereiro, numa anterior tentativa de chegar a acordo sobre o
orçamento plurianual da União, deverá registar-se um ‘choque’ entre os
chamados países ‘frugais’ [Holanda, Áustria, Dinamarca e Suécia] - que
não querem aumentar as contribuições para os cofres comunitários e
defendem que os apoios de recuperação aos países mais fragilizados sejam
na forma de empréstimos sob condições estritas - e um conjunto bem mais
vasto de Estados-membros intitulados ‘amigos da coesão’, que reclamam
um orçamento ambicioso, sem cortes na coesão e na política agrícola
comum, e apoios sobretudo na forma de subsídios a fundo perdido.Charles
Michel prossegue as consultas com os líderes em busca de uma base de
compromisso, tendo o seu porta-voz revelado que hoje o presidente do
Conselho Europeu conversou telefonicamente, de manhã, com o
primeiro-ministro António Costa, assim como com o chefe de Governo
holandês, Mark Rutte, em boa medida os ‘rostos’ de cada uma das ‘fações’
em confronto no Conselho Europeu (respetivamente amigos da coesão e
frugais). A base para as negociações sobre
o Fundo de Recuperação – associado a um orçamento plurianual muito em
linha com aquele que esteve já sobre a mesa em fevereiro - será a
recente proposta apresentada pela presidente do executivo comunitário,
Ursula von der Leyen, de um Fundo de Recuperação de 750 mil milhões de
euros para “reparar os danos” provocados pela pandemia da covid-19 na
União Europeia, dos quais poderão vir a caber a Portugal aproximadamente
26 mil milhões.A proposta prevê que, do
montante global do Fundo, a ser angariado pela própria Comissão nos
mercados, 500 mil milhões sejam canalizados para os Estados-membros
através de subsídios a fundo perdido, e os restantes 250 mil milhões na
forma de empréstimos.Portugal poderá vir a
arrecadar um total de 26,3 mil milhões de euros, 15,5 mil milhões dos
quais em subvenções e os restantes 10,8 milhões sob a forma de
empréstimos (voluntários) em condições muito favoráveis. O
primeiro-ministro, António Costa, já saudou a "ambiciosa" proposta da
Comissão Europeia, considerando que Portugal está perante "uma enorme
oportunidade para se dotar de uma estratégia de valorização dos recursos
naturais e para a reindustrialização do país". O
primeiro-ministro disse esperar agora “que não seja o Conselho a
frustrar a esperança que a Comissão Europeia abriu", numa alusão
indireta aos quatro países que se têm oposto à existência de subvenções a
Estados-membros, ou ao recurso a mecanismos de mutualização da dívida,
os chamados ‘frugais’.