Províncias canadianas levantam restrições mas protestos continuam
Covid-19
10 de fev. de 2022, 11:28
— Lusa/AO Online
Alberta, Saskatchewan, Quebeque e Ilha do Príncipe Eduardo anunciaram esta semana planos para reverter algumas ou todas medidas.Alberta,
a província mais conservadora do Canadá, deixou de exigir imediatamente
o certificado de vacinação em locais como restaurantes e, no final do
mês, será a vez do uso das máscaras.A
líder da oposição de Alberta, Rachel Notley, acusou o primeiro-ministro
daquela província, Jason Kenney, de permitir que seja um “bloqueio
ilegal a ditar medidas de saúde pública”.Os
manifestantes estão a bloquear a passagem de fronteira em Coutts,
Alberta, há mais de uma semana e meia. Cerca de 50 camiões permaneciam
hoje no local.Além disso, mais de 400 camiões paralisaram o centro de Otava, capital do Canadá, num protesto que começou no final de janeiro.Um
bloqueio de carrinhas entrou para o seu terceiro dia na Ambassador
Bridge, entre Detroit e Windsor (Ontário). O tráfego foi impedido de
entrar no Canadá, enquanto parte do trânsito com destino aos Estados
Unidos ainda se encontrava em movimento.A
ponte transporta 25% de todo o comércio entre o Canadá e os Estados
Unidos, e os deputados canadianos expressaram preocupação com os efeitos
económicos.O “comboio de camiões da
liberdade” foi promovido por personalidades do canal de televisão
norte-americano Fox News e atraiu apoio de muitos republicanos dos
Estados Unidos, incluindo o ex-Presidente Donald Trump, que chamou ao
primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, de “lunático de
extrema-esquerda” que “destruiu o Canadá com leis insanas da
covid[-19]”.Alguns manifestantes estão a
protestar contra uma regra que entrou em vigor em 15 de janeiro,
exigindo que os camionistas que entram no Canadá sejam totalmente
imunizados contra o novo coronavírus SARS-CoV-2. Os protestos também
abrangem queixas sobre o uso de máscaras e outras restrições, bem como
opositores de Trudeau. Os manifestantes
pedem a destituição do Governo canadiano, embora a maioria das
restrições tenham sido implementadas pelos governos provinciais. As
restrições pandémicas foram muito mais rígidas no Canadá do que nos
Estados Unidos, mas os canadianos apoiaram-nas amplamente. A taxa de
mortalidade por covid-19 no Canadá representa um terço da registada nos
Estados Unidos.“Estamos todos cansados,
sim, estamos todos frustrados, mas continuamos aqui uns para os outros.
Continuamos a saber que as regras e orientações da ciência e da saúde
pública são o melhor caminho para a pandemia”, disse Justin Trudeau no
parlamento, em Otava.Trudeau afirmou também que os "bloqueios" são "inaceitáveis" e que tiveram "um impacto negativo na economia" do país. "Devemos fazer tudo para acabar com isso", insistiu Trudeau. A
mais recente vaga da covid-19, alimentada pela variante Ómicron
altamente contagiosa, atingiu o Canadá, que é um dos países mais
vacinados do mundo. Mais de 84% receberam pelo menos uma dose.Apesar dos planos da província de Alberta de eliminar as medidas restritivas, os protestos prosseguiram. Cerca de 90% dos camionistas canadianos são vacinados.Associações de camionistas e muitas operadoras de grandes plataformas denunciaram os protestos.