Província canadiana de Alberta pondera referendo sobre separação do Canadá
Hoje 12:53
— Lusa/AO Online
O anúncio foi
feito pela chefe do governo de Alberta, a conservadora populista
Danielle Smith, num discurso televisivo em que afirmou que os cidadãos
terão de escolher entre permanecer como província do país ou iniciar o
processo legal exigido para "realizar um referendo provincial
vinculativo sobre se Alberta deve separar-se do Canadá”.Smith,
que desde que chegou ao poder em 2022 tem centrado as suas políticas no
confronto com o Governo federal, reiterou várias vezes que votará a
favor da permanência no Canadá, por considerar que “o Canadá ainda pode
funcionar”. No entanto, justificou a
consulta afirmando que centenas de milhares de habitantes de Alberta
querem pronunciar-se sobre a questão.O
anúncio surge depois de a 13 de maio um tribunal canadiano ter anulado
uma petição popular para convocar consultas populares que reuniram cerca
de 300 mil assinaturas, alegando que o processo não respeitou os
direitos dos povos indígenas do território.A
primeira-ministra provincial, que tinha facilitado a iniciativa popular
ao reduzir o número de assinaturas necessárias para forçar a convocação
de um referendo, criticou a decisão judicial como antidemocrática e
disse que Alberta iria recorrer.O
primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que ainda não se pronunciou
sobre a decisão de Alberta, declarou a 14 de maio que os separatistas
devem respeitar os direitos indígenas e cumprir a legislação canadiana,
incluindo o Clarity Act. Esta lei, aprovada após os dois referendos
separatistas no Quebeque, estipula que o Parlamento canadiano tem de
aprovar a pergunta de qualquer referendo e decidir se o resultado da
votação é suficiente para iniciar um processo de negociação, que deve
ser ratificado pelas restantes províncias.Segundo
o governo provincial, a consulta anunciada por Smith não implicaria
automaticamente a independência de Alberta: uma vitória da opção
soberanista apenas desencadearia o processo para organizar um segundo
referendo, esse sim vinculativo, sobre a separação.O anúncio ocorre num contexto de crescente tensão entre Alberta e Otava em torno de questões energéticas e regulatórias. Smith
acusou o Governo federal de tentar centralizar poderes e defendeu que
Alberta tem sido prejudicada durante anos por políticas contrárias ao
desenvolvimento petrolífero.A oposição e
vários dirigentes políticos reagiram de imediato. O líder conservador
federal, Pierre Poilievre, afirmou que fará campanha para que Alberta
permaneça dentro da “família canadiana”.Por
seu lado, organizações indígenas denunciaram que qualquer tentativa de
separação violaria os tratados históricos assinados com a Coroa
britânica e protegidos pela Constituição canadiana.O referendo de outubro incluirá ainda outras nove perguntas relacionadas com imigração e assuntos constitucionais.