Provedora destaca pela negativa degradação das prisões de Ponta Delgada e Lisboa
4 de jun. de 2025, 16:56
— Lusa/AO Online
"No plano das infraestruturas, pouco se
alterou face a 2023: continuam a destacar-se, pela negativa, a
degradação dos EP de Lisboa e Ponta Delgada, sendo que o primeiro
permanece sem sistema completo de videovigilância", refere à Lusa, por
escrito, fonte oficial da Provedoria de Justiça/MNP.No
relatório da visita realizada a 13 de dezembro ao EP de Lisboa,
publicado esta semana no 'site' do organismo, a Provedora de Justiça
realça que não se têm registado progressos no encerramento "há muito
anunciado desta prisão", tendo a direção manifestado "incerteza e
desconhecimento quanto ao futuro do próximo EP" e referido que até então
não tinha sido transferido qualquer recluso nesse âmbito.A
sobrelotação e o "incumprimento de áreas mínimas representadas por cada
recluso nos alojamentos" são outros dos aspetos negativos referidos na
área das infraestruturas.Em sentido
inverso, a Provedoria de Justiça/MNP indica como positiva "a previsão de
obras na Ala E (do EP de Lisboa) para melhoria de alojamentos e
balneário".A sobrelotação e a falta de um
sistema de videovigilância foram características igualmente
identificadas no EP de Ponta Delgada, visitado a 11 e 12 de novembro
pelo Mecanismo e cujo relatório foi também divulgado esta semana
'online'.Neste caso, a Provedoria de
Justiça/MNP considera positivas as "obras em curso para criação de novos
alojamentos coletivos que, embora desrespeitem ainda alguns padrões
legais, configuram uma melhoria das condições existentes" numa
megacamarata que alojava "47 reclusos e contava com apenas seis duches e
cinco sanitas".No balanço remetido em
abril à Lusa sobre as 50 visitas realizadas em 2024 a prisões, centros
educativos e esquadras, o organismo assinala, por outro lado, "algum
progresso" no domínio dos procedimentos, nomeadamente na "adoção de boas
práticas de prevenção de maus-tratos".Entre
estas, está a "abertura de inquéritos internos e a comunicação atempada
ao Ministério Público quando se está perante alegações/factos passíveis
de configurar maus-tratos a reclusos".Os
EP de Lisboa e Ponta Delgada, onde segundo os relatórios existiram
alegações de maus-tratos a presos, estão entre as cadeias que adotaram,
em 2024, estes procedimentos.O MNP tem como missão principal a prevenção da tortura.