Provedora de Justiça recebe queixas contra a Educação
11 de dez. de 2019, 16:51
— Paula Gouveia
A Secretaria Regional da Educação ignorou os alertas do Sindicato
Democrático dos Professores dos Açores (SDPA), e por essa razão, a
estrutura sindical decidiu recorrer à Provedora de Justiça, para fazer
valer o que considera serem direitos dos professores que lhes estão a
ser negados nos Açores.Em causa duas situações: a negação aos
professores açorianos do “direito a férias após o termo da licença de
parentalidade”, bem como da “majoração de três dias de férias aos
docentes que exercem o direito à participação em reuniões de atividade
sindical ou em plenários sindicais”, explicou Ricardo Batista, dirigente
do SDPA.Após a entrega das queixas, na Extensão da Provedoria de
Justiça de Angra do Heroísmo, o presidente do Sindicato Democrático dos
Professores dos Açores sublinhou que “ao negar o direito a férias após o
termo da licença de parentalidade, [a secretaria regional] está a
violar não só os princípios da igualdade, como também de proteção à
maternidade/paternidade”, ou seja, “preceitos constitucionais
diretamente aplicáveis”.O SDPA alertou o secretário regional da
Educação e Cultura em outubro de 2018 para esta discriminação, depois de
em maio desse ano a Direção Geral da Administração Escolar ter feito
uma nota informativa a esclarecer a situação. “Passados três meses, como
não obtivemos resposta voltamos a insistir. E, recordamos também esta
violação do princípio da igualdade a 2 de agosto de 2019, aquando da
reunião de balanço do ano letivo”, explicou Ricardo Batista. Mas, “não
imperou o bom senso, nem a racionalidade nesta matéria, escusando-se o
titular da pasta da Educação dos Açores a solucionar este fator gerador
de desigualdade entre os professores dos Açores e os restantes
professores do território nacional”, adiantou Ricardo Batista.No que
se refere à segunda queixa, o sindicato “entende que se verifica uma
violação dos princípios expressos na lei geral de trabalho em funções
públicas, designadamente o livre exercício da atividade sindical”. No
entender do SDPA, as ausências para participação em reuniões de
atividade sindical ou em plenários sindicais são equiparadas a prestação
efetiva de serviço. Por essa razão, o sindicato considera que a tutela
está a fazer uma “ interpretação abusiva”, ao não conceder a majoração
por esse motivo.Ricardo Batista salienta que “os professores dos
Açores sentem-se prejudicados pelos atos injustos praticados pela nossa
administração regional autónoma”, esperando por isso que estas queixas
possam ter uma apreciação célere por parte da Provedora da Justiça.O
dirigente sindical lamenta que “nem sempre haja uma atitude de diálogo
por parte da administração regional”, acrescentando que “o que nos leva a
recorrer a estas instituições é que não impera o bom senso, nem a
racionalidade em determinadas matérias por parte da Direção Regional da
Educação”.