Provedora de justiça pede esforço para resolver atrasos nos apoios às empresas
Covid-19
5 de mar. de 2021, 12:02
— Lusa/AO Online
“A provedora
de justiça enviou ao secretário de Estado da Segurança Social e ao
secretário de Estado adjunto e dos Assuntos Fiscais um ofício em que
solicita que sejam envidados esforços no sentido de superar a situação
vivida por empresas que aguardam, há já alguns meses, a atribuição do
apoio extraordinário à retoma progressiva de atividade, residindo a
justificação da demora na dinâmica de articulação entre o Instituto da
Segurança Social [ISS], IP e a Autoridade Tributária e Aduaneira [AT]”,
informou a provedora de justiça, em comunicado.De
acordo com as queixas recebidas pela entidade, o problema resulta de
“as duas entidades ainda se encontrarem a ajustar os moldes da
articulação destinada a confirmar a percentagem de quebra de faturação
invocada pelas empresas nos pedidos de apoio”.Entre
as queixas chegadas à provedora incluem-se casos de empresas que “não
recebem qualquer apoio desde novembro de 2020, mesmo depois de terem
anulado ou corrigido os pedidos em que foram detetadas divergências ou
de terem apresentado reclamações justificando a quebra de faturação
invocada”.“O certo é que, volvidos três
meses desde que o ISS iniciou os procedimentos de confirmação da quebra
de faturação junto da AT, nenhuma destas situações sofreu qualquer
evolução, mantendo-se suspensos todos os pedidos subsequentes, sem que
tenha sido prestada aos interessados qualquer informação complementar e
sem que tenham sido objeto de apreciação as reclamações apresentadas”,
lê-se no ofício enviado aos governantes.No
mesmo documento, a provedora de justiça salienta que, em todas as
queixas recebidas, as empresas alegam estar a atravessar graves
dificuldades financeiras e que, sem os apoios do Estado, o pagamento aos
trabalhadores está comprometido.“Em
particular, são preocupantes alguns casos de negócios familiares cuja
limitação de atividade é imposta pelas medidas de execução do estado de
emergência e em que a ausência do apoio coloca também em situação de
delicada insuficiência económica o agregado familiar envolvido”, bem
como casos de empresas com número relevante de trabalhadores que não têm
como pagar os salários, “afetando desse modo o rendimento de um
conjunto elevado de famílias”, alertou a provedora.