Provedora da Santa Casa disponível para encontrar respostas para problemas com raspadinha
19 de set. de 2023, 17:43
— Lusa
Ana
Jorge comentava à agência Lusa os resultados de um estudo divulgado
hoje pelo Conselho Económico e Social (CES), segundo o qual há cerca de
100 mil adultos em Portugal com problemas de jogo com a raspadinha, dos
quais cerca de 30 mil apresentam perturbação de jogo patológico.Segundo
o estudo, que validou 2.554 entrevistas, o consumo frequente de
raspadinhas é mais comum nas pessoas com baixos rendimentos,
escolaridade baixa e mulheres.Ressalvando
que a SCML ainda não refletiu sobre os resultados do estudo, Ana Jorge
assegurou que a instituição irá analisá-los e “conversar com quem
entende do assunto, as pessoas que tratam das dependências”.Garantiu ainda que a SCML está “obviamente disponível para encontrar e dar resposta a alguns dos problemas que são apontados”.No
entanto, admitiu que a instituição já tinha “uma preocupação grande”
porque também já conhecia “de certo modo - não cientificamente porque
não havia nenhum estudo desta forma - a caracterização das pessoas que
jogam mais na raspadinha”.“Percebemos e
confirma-se pelos dados que vi na comunicação social que corresponde à
população mais carenciada, com mais dificuldades, nos mais velhos, e que
também muitas vezes tem outro tipo de dependências”, disse a provedora.No
seu entender, esta questão tem de ser equacionada e enquadrada do ponto
de vista do tratamento das dependências, que são um problema de saúde
mental, “e não com uma solução única e muito linear”.Ana
Jorge observou que os jogos sociais da Santa Casa são também uma forma
de se ter o jogo regulado. Contudo, sendo a raspadinha jogada em papel e
não ‘online’, como já são os outros jogos, é mais difícil fazer algum
controlo, sendo por isso necessário encontrar alternativas para poder ir
ao encontro desta situação.Destacou a
necessidade da prevenção, nomeadamente através da disponibilização de
informação nos locais de venda e da formação dos revendedores de jogo
para terem atenção, especialmente a algumas pessoas.Mas
admitiu a dificuldade por as pessoas jogarem “no sentido do
imediatismo”: “No fundo, apostam um euro, 50 cêntimos, para a
possibilidade de ter o retorno imediato e este retorno imediato é que é o
problema, pelo menos daquilo que se percebe, de entrar no círculo
vicioso do jogo”.“Temos de ter atenção
também a estas particularidades da população, aumentar a literacia,
aumentar o conhecimento”, porque se trata de “um problema social” que
atinge as pessoas que a Santa Casa “mais apoia, que são as pessoas mais
vulneráveis, com mais necessidades de apoios sociais ou de saúde",
sustentou, lembrando que o objetivo dos jogos sociais é permitir ter
verbas para investir e ter recursos para apoiar esta população.A
provedora assinalou ainda que não se pode incentivar o jogo e que “a
raspadinha não tem qualquer publicidade associada”, ao contrário dos
outros jogos, porque “é um jogo diferente dos outros”.Referiu
ainda que a SCML tem trabalhado em conjunto com o Serviço de
Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) e
que, provavelmente, “neste momento fará sentido reforçar esta ligação”.A SCML tem uma Linha de Apoio Jogo Responsável (214193721, que funciona das 14:00 às 18:00 e email linhadeapoio@iajtp.eu que “é o primeiro passo para a pessoa poder ser ajudada”, disse Ana Jorge.