Prova de trail run decorre nas Flores e Corvo de sexta-feira a domingo
12 de set. de 2019, 12:18
— Lusa/AO Online
"É um evento de trail com a característica
particular de ser feito por etapas. Vamos reunir um grupo de atletas no
grupo ocidental dos Açores, que vão tirar partido da rede de trilhos das
ilhas", disse à Lusa Mário Leal, do Azores Trail Running, organizador
do evento.Estão previstas duas provas na
ilha das Flores e uma na ilha do Corvo, sendo a primeira vez que a ilha
mais pequena do arquipélago recebe este tipo de competição."No
primeiro dia, teremos uma corrida vertical da Fajã Grande ao Morro
Alto, o ponto mais alto Flores. O objetivo é atingir a máxima altitude
possível durante 6,5 km, é uma espécie de aquecimento. No dia seguinte,
partimos para o Corvo para fazer um percurso que inclui os dois trilhos
pedestres da ilha [a cara do índio e o caldeirão], numa extensão de 20
km. Depois voltamos às Flores para ter a prova mais longa, 35 km, da
Fajãzinha até Santa Cruz, percorrendo toda a costa da ilha", explicou.A competição é considerada "bastante exigente", apesar da distância de 61,5 km (no total das três provas) não ser "muito longa"."A
distância não é muito longa, mas em contrapartida, em termos de
altitude, sobe-se quase cinco mil metros. Todos os percursos têm uma
forte pendente de altura, o que torna a competição bastante exigente",
assinalou.Sobre a escolha das ilhas do
grupo ocidental do arquipélago açoriano, Mário Leal disse que o objetivo
passou por "chegar a mais ilhas", esperando que este tipo de provas se
"repitam regularmente"."Flores e Corvo são
ilhas reservas da biosfera, com parques naturais e trilhos pedestres. A
ideia é também trazer dinamismo nesta altura do ano e mostrar os Açores
enquanto destino de natureza. A intenção é chegar a cada vez mais ilhas
e fazer com que os eventos se repitam regularmente, sempre tendo em
conta as especificidades de cada ilha", apontou o organizador, revelando
que a "intenção é que as pessoas possam ficar mais tempo nos locais da
prova".A organização da prova foi
"bastante difícil" devido à logística necessária, o que levou à
limitação das inscrições a 50 participantes. "É
bastante difícil, a diferentes níveis, organizar um evento destes
nessas ilhas. As viagens, o alojamento, a promoção. Por exemplo, o
Corvo, no conceito que queremos, ainda não tem a capacidade de alojar 50
pessoas de uma vez", assinalou Mário Leal, explicando que a limitação a
50 atletas se prendeu "com a capacidade de transporte até ao Corvo",
sendo também uma forma de "assegurar a qualidade do evento".A
prova do último dia, na ilha das Flores (35 km), permite adquirir
pontos ITRA (Associação Internacional de Trail Running), que dão acesso a
outras provas do calendário. Ainda assim, o que move os corredores,
segundo Mário Leal, é a conclusão do percurso."Este
desporto tem algumas particularidades. As pessoas normalmente procuram é
terminar a prova e terem capacidade de aguentar os três dias. Há
convívio e competição, mas acima de tudo o que os atletas querem é
atingir regularidade e terminar o circuito", concluiu.O
evento conta com o patrocínio do Governo Regional dos Açores e apoios
das Câmaras Municipais de Santa Cruz, Lajes das Flores, Vila do Corvo e
cooperativa ocidental.