Protocolos de reestruturação do SEF formam 308 efetivos da GNR e da PSP
24 de fev. de 2023, 12:06
— Lusa/AO Online
A GNR, PSP, SEF e
PJ assinaram no dia 20 de dezembro de 2022, no MAI, em Lisboa, quatro
protocolos que estabeleciam o modelo de cooperação entre as forças e
serviços de segurança no contexto da reestruturação do sistema português
de controlo de fronteiras.“Esses
protocolos visaram preparar a transferência de competências do SEF para
as outras forças e serviços de segurança, no quadro da reestruturação do
sistema nacional de controlo de fronteiras, definindo as ações a
desenvolver em conjunto”, adianta o gabinete do MAI num comunicado.Além
da formação de 308 efetivos da GNR e da PSP em controlo de fronteiras, a
tutela salienta o empenhamento médio diário de 37 guardas nos postos de
fronteira marítima e de 29 polícias nos postos de fronteira aérea.“Uma
das conclusões da avaliação positiva feita pelos responsáveis políticos
e policiais é que a adaptação em curso dos efetivos da GNR e da PSP,
com a interiorização das rotinas e procedimentos da atividade diária nos
diferentes postos de fronteira, vai contribuir para o aumento
progressivo da capacidade operacional do país no controlo das fronteiras
nacionais”, indica.O MAI refere ainda
que, desde 17 de janeiro, 146 elementos da GNR reforçaram os turnos nos
postos de fronteira marítima nacionais. “Nos
Açores, a primeira equipa da GNR – com 9 efetivos – passou a integrar
os turnos do SEF a partir do dia 23. Isso permitiu um empenhamento médio
diário de 37 guardas a nível nacional, sendo possível duplicar os
recursos humanos nalguns dos postos de fronteira marítima”, sublinha.É também referido que as equipas do SEF e da GNR controlaram já 2.837 embarcações, 247.108 passageiros e 127.812 tripulantes.O
MAI diz também que, ao abrigo do protocolo de cooperação, iniciou-se na
quarta-feira o mais recente curso de formação em controlo de fronteiras
marítimas, com 80 formandos, e vai terminar a 03 de maio.“No
final das ações de formação previstas, haverá 234 efetivos da GNR
habilitados com o curso de controlo de fronteiras”, observa.Sobre
a PSP, é realçado o empenho diário de 20 polícias no controlo de
fronteiras aéreas nos principais aeroportos nacionais, que permitiu
“controlar um total de 11.700 voos (chegadas e partidas) e 1.739.921
passageiros – mais 262.000 que o registado no período homólogo de 2019
(pré-pandemia)”, entre 01 de janeiro e 15 de fevereiro.Por
sua vez, a tutela recorda que, ao nível da formação, o terceiro curso
de controlo de fronteira para a PSP é frequentado por 43 polícias e
termina este fim de semana, adiantando que até abril vão decorrer mais
dois cursos, no final dos quais haverá 306 agentes formados.O
MAI refere que a colaboração entre a PSP também contribuiu “para
garantir uma maior eficácia e eficiência nos procedimentos de controlo
na passagem das fronteiras aéreas”.“Isso
traduziu-se, entre outros aspetos, em tempos médios máximos de espera de
42 minutos por parte dos passageiros na área do controlo de fronteiras
dos aeroportos entre as 05h00 e as 07h15 – período que coincide com o
pico de chegada de passageiros”, frisa.Em
relação à PJ, o protocolo de cooperação tem permitido preparar a
integração do pessoal da Carreira de Investigação e Fiscalização (CIF)
do SEF naquela força judicial, “assim como definir um plano de trabalho
nos domínios operacional, de prevenção, de deteção e investigação
criminal, na coordenação da atividade operacional, troca de informações e
formação”.Três equipas mistas com
inspetores do SEF e da PJ já permitiram executar mandados judiciais nas
zonas de Lisboa e do Porto, tendo sido criados também dois postos de
trabalho para os respetivos pontos focais: um junto da Unidade de
Contraterrorismo (UNCT) da PJ e outro na Direção Central de Investigação
(DCINV) do SEF.Também estão em curso
ações de formação para dotar os elementos da UNCT e da DCINV com
competências e ferramentas que permitam desenvolver metodologias de
atuação e boas práticas na utilização dos sistemas de registos de dados.Por
fim, o MAI lembra que, em 09 de fevereiro, o Sistema de Segurança
Interna (SSI) e o SEF assinaram também um protocolo de cooperação.Em
articulação com o ministro da Administração Interna, José Luís
Carneiro, o protocolo visa estabelecer um ponto único de contacto para
as fronteiras, uma unidade de cooperação na área policial interna e
externa, gestão das bases de dados e sistemas de informação de natureza
policial e a implementação do Sistema Europeu de Informação e
Autorização de Viagens (ETIAS) e o Ponto de Contacto Nacional para a
Frontex.A 20 de dezembro de 2022, José
Luís Carneiro anunciou que a reestruturação do SEF ia concretizar-se
durante o primeiro trimestre de 2023, rejeitando, na ocasião, que se
tratava da extinção de um serviço de segurança.“Falamos
de reestruturação, mesmo do ponto de vista legal deve falar-se de
reestruturação do SEF, porque as competências e pessoas que têm essas
competências vão continuar a trabalhar no sistema de segurança interna. O
que está previsto é que no primeiro trimestre de 2023 tenhamos as
condições para que esta transição ocorra”, disse aos jornalistas José
Luís Carneiro.