Protestos sindicais e estreia da bastonária dos advogados na abertura do ano judicial
10 de jan. de 2023, 07:52
— Lusa/AO Online
As
intervenções das principais figuras do setor - ministra da Justiça,
Procuradora-geral da República, presidente do Supremo Tribunal de
Justiça, bastonária dos Advogados -, bem como dos mais altos representes
do Estado (Presidente da República e presidente da Assembleia da
República), verificam-se numa altura em que há uma onda de protestos
sindicais por parte dos guardas prisionais, funcionários judiciais e
trabalhadores dos registos e notariado, relacionados com problemas
remuneratórios, questões de carreira e condições de trabalho, entre
outras.A cerimónia está marcada para as
15h00 (menos uma nos Açores) hora a que decorrem plenários convocados pelo Sindicato dos
Funcionários Judiciais (SFJ) diante das instalações onde prestam serviço
e uma greve do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), convocada a
partir das 13h00 e até às 24h00, e que se prolonga por tempo
indeterminado, no mesmo período, todos os dias, até haver resposta do
governo às reivindicações sindicais.O
presidente do SFJ, António Marçal, critica a degradação física das
instalações onde trabalham, a “gritante” falta de profissionais nos
tribunais, o envelhecimento da classe, a falta de progressões na
carreira e a desmotivação dos profissionais, e a revisão do Estatuto dos
Funcionários de Justiça, uma reivindicação antiga, prometida, mas ainda
por cumprir.O Sindicato Nacional dos
Registos (SNR), que abriu o ano de 2023 com uma greve nacional, espera
que neste novo ano judicial seja possível dar resposta às suas
exigências, considerando que os profissionais dos registos estão a viver
“um período conturbado, desigual, assimétrico e anacrónico”. As
desigualdades salariais dentro da classe, que o novo diploma do sistema
remuneratório aprovado em 2019 não resolveu, segundo o SNR, estão no
topo das reivindicações deste sindicato.A
abertura do ano judicial surge também num momento em que o Sindicato dos
Magistrados do Ministério Público (SMMP) e a Associação Sindical dos
Juízes Portugueses (ASJP) alertam para uma série de estrangulamentos,
dificuldades e falta de condições de trabalho nos tribunais e apelam ao
governo para que adote medidas e reformas urgentes.Para
o presidente da ASJP Manuel Soares estão em causa questões como os
tribunais administrativos e fiscais, os processos-crimes complexos de
criminalidade económico-financeira, o custo do acesso à Justiça e as
arbitragens.Por seu lado, o presidente do
SMMP apontou para a falta de recursos humanos, para as deficitárias
condições de trabalho e para as dificuldades de recrutamento de novos
magistrados. "As condições de trabalho do MP são deficitárias, sem salas
próprias para a realização de diligências e sem equipamentos de
videoconferência e gravação de voz e imagem", referiu.A
abertura do ano judicial, que se realiza no STJ, em Lisboa, conta com
as intervenções do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, da
ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, do presidente do STJ,
Henrique Araújo, da procuradora-geral da República, Lucília Gago, e da
bastonária da Ordem dos Advogados, Fernanda de Almeida Pinheiro.