Proteger dados genéticos é fundamental para rastrear crianças desaparecidas
20 de jun. de 2024, 10:45
— Lusa
Numa
reunião organizada na quarta-feira em Haia pela Comissão Internacional
sobre Pessoas Desaparecidas (ICMP), especialistas estrangeiros e
ucranianos, bem como representantes da comunidade internacional,
discutiram a necessidade de melhorar a "visão estratégica da Ucrânia
para localizar dezenas de milhares de pessoas desaparecidas", incluindo
crianças “deportadas ilegalmente”.O
Registo Único de Pessoas Desaparecidas em Circunstâncias Especiais
inclui atualmente 2.145 indivíduos que tinham menos de 18 anos de idade
no momento do desaparecimento, noticiou a agência Efe.A
deportação ilegal de crianças é um crime de guerra ao abrigo do
Estatuto de Roma, o tratado fundador do Tribunal Penal Internacional
(TPI), e foi a razão dos dois mandados de detenção emitidos em março do
ano passado por este tribunal contra o Presidente russo Vladimir Putin e
María Lvova-Belova, comissária presidencial para os Direitos da Criança
na Rússia.A rainha Noor da Jordânia,
comissária do ICMP desde 2001, sublinhou que há consenso sobre o papel
crucial que uma “base de dados central” desempenharia ao permitir a
compilação da “informação abundante” sobre pessoas desaparecidas que
diferentes agências recolheram.Da mesma
forma, destacou o consenso entre aqueles que trabalham nesta questão
sobre “a necessidade de comunicação constante com as famílias dos
desaparecidos” e “uma campanha de divulgação para recolher dados
genéticos de dezenas de milhares de familiares” residentes dentro e fora
da Ucrânia.Artur Dobroserdov, comissário
ucraniano para pessoas desaparecidas, alertou que, embora a invasão
russa tenha começado em 2022, “a agressão começou já em 2014 e, como
consequência, há muitas pessoas que foram assassinadas, feitas
prisioneiras ou desapareceram”.“Agora
entendemos a magnitude do problema. Estas crianças são o nosso futuro.
Precisamos fazer tudo o que pudermos para trazê-los de volta. Entendemos
que, com o passar do tempo, muitas coisas mudam, até mesmo os nomes e
sobrenomes dessas crianças, porque [a Rússia] faz todo o possível para
que esqueçam as suas raízes e os seus familiares”, alertou Dobroserdov.O
comissário ucraniano alertou ainda que “a informação fiável sobre
pessoas desaparecidas diminui com o tempo” e que é crucial que os dados
sejam registados e armazenados de forma adequada porque “no futuro, as
fontes primárias podem já não existir ou podem ser distorcidas, não
refletindo a verdadeira situação”.Já
Kateryna Rashevska, perita jurídica do Centro Regional para os Direitos
Humanos, realçou que a deportação ilegal “nunca ocorre isolada de outras
violações dos direitos das crianças que são cometidas durante os
conflitos”, frisando que, uma vez sob controlo russo, estas as crianças
são “impostas à nacionalidade russa, a um sistema educacional formal e
informal com elementos de doutrinação política e militarização”.De
acordo com os seus dados, as crianças ucranianas foram transferidas
para 58 cidades e vilas na Rússia, para a Bielorrússia e para a Ossétia
do Sul, e para o território ucraniano ocupado.