Proteger a biodiversidade já não chega, é preciso restaurar, defendem ambientalistas
COP15
4 de dez. de 2022, 12:25
— Lusa /AO Online
A propósito da cimeira da ONU sobre biodiversidade (COP15), que teve uma primeira parte no ano passado na China e que vai concluir-se em Montreal, no Canadá, entre 07 e 19 de dezembro, Ângela Morgado alerta que a natureza está a desaparecer “a um ritmo sem precedentes”, com a população de espécies a diminuir 69% desde 1970, segundo o último relatório da “World Wide Fund for Nature” (WWF).Para a COP15 ser bem-sucedida, diz Ângela Morgado, tem de reverter essa tendência e agir para ter até 2030 pelo menos 30% de áreas protegidas do planeta, acrescentando: “Mas também é muito importante a parte do restauro. A nossa meta em restauro é de 30%”.“Precisamos de um Acordo de Paris para a natureza. Um acordo com significado político, um acordo com compromissos”, afirma a diretora executiva da Associação Natureza Portugal, que em Portugal trabalha com a WWF, sob a sigla ANP/WWF.Em 2015 foi aprovado por quase todos os países do mundo o Acordo de Paris, considerado o mais importante documento da luta contra o aquecimento global, que traça as metas e o que tem de ser feito para que o aumento global das temperaturas não ultrapasse os dois graus celsius (ºC) em relação à época pré-industrial, e se possível não vá além de 1,5ºC. Esse aumento é hoje já de pelo menos 1,1ºC.O que Ângela Morgado defende é que em Montreal seja alcançado um acordo do género mas virado para a proteção da biodiversidade mundial.A “inação já não é uma opção, precisamos mesmo de ação”, sustenta a responsável nas declarações à Lusa, acrescentando que um quadro ambicioso para a COP15 passa também pela mobilização para que se reduza para metade, até 2030, a pegada mundial da produção e consumo.Tal passa, diz, por uma “transformação comportamental acentuada” das pessoas, reduzindo o consumo de determinados alimentos e optando por outros. Ângela Morgado destaca que essa mudança passa também por outras áreas, seja a moda, a energia ou a mobilidade.“É uma mudança a todos os níveis. Não tendo de ser radical é basicamente uma opção de consumo por produtos mais sustentáveis”, explica.Ângela Morgado frisa que a aposta no que chama “natureza positiva”, além da relação que tem com a luta contra o aquecimento global, salvaguarda a saúde (dá o exemplo da pandemia de covid-19), reduz a pobreza e protege os direitos humanos (nomeadamente de comunidades indígenas).“Quanto mais restaurarmos a natureza mais colocamos as pessoas no centro”, afiança, acrescentando em jeito de alerta que “um fracasso da cimeira será devastador para as pessoas”.A COP15 deve adotar um quadro global de proteção da biodiversidade pós-2020, com uma estratégia e um roteiro global de conservação, proteção, restauração e gestão sustentável da biodiversidade e dos ecossistemas para a próxima década.A ausência de líderes políticos tem levado observadores a considerar que tal pode pôr em causa a eficácia da COP15.