Proteção Civil manifesta “profundo desagrado” por declarações em audição parlamentar
Incêndios/Madeira
26 de set. de 2024, 11:04
— Lusa/AO Online
“Na defesa do direito à
informação apelamos à responsabilidade de todos os intervenientes nesta
audição parlamentar de veicularem dados com base na verdade,
conhecimento e transparência”, refere a autoridade regional em
comunicado. O Serviço de Proteção Civil da
Madeira critica, em particular, a indicação de que a região deveria
reivindicar a aquisição de helicópteros Kamov, salientando que isso é
“revelador de profundo desconhecimento sobre a atual situação deste tipo
de aeronave”.Em causa estão declarações
do secretário-geral do Sindicato Nacional da Proteção Civil, José Costa
Velho, e do presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança
e Proteção Civil, Ricardo Ribeiro, ouvidos na terça-feira na comissão
de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, numa
audição sobre a gestão dos meios de proteção civil no incêndio de agosto
de 2024 na Região Autónoma da Madeira.“De
acordo com as novas diretivas europeias, e com a instalação da guerra
Ucrânia/Rússia este tipo de equipamento [helicópteros Kamov] está
proibido de operar no espaço europeu”, esclarece o Serviço Regional de
Proteção Civil, adiantando, a título de exemplo, que “em Alicante,
Espanha, estão neste momento 10 helicópteros Kamov parados sem
autorização de operar no espaço europeu”.A
autoridade regional garante que “opera e gere os meios disponíveis com
muito rigor, conhecimento, transparência e pragmatismo” e sublinha que o
reforço dos meios aéreos de combate a fogos na região é uma prioridade
do Governo Regional (PSD), mas “viável apenas com o apoio do Governo da
República”.Atualmente, a região autónoma dispõe apenas de um helicóptero de resgate e combate a incêndios.O
Serviço Regional de Proteção Civil da Madeira indica, por outro lado,
que está em articulação com “entidades credíveis e fidedignas” para
“eleger e definir o novo modelo a adotar no combate aos incêndios”.A
autoridade regional esclarece ainda que a Madeira dispõe de um total de
732 bombeiros para atuar no socorro e no combate aos incêndios e realça
que, no decurso do incêndio em agosto, não houve vítimas a lamentar,
nem habitações ou infraestruturas essenciais destruídas. Na
terça-feira, o presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de
Segurança e Proteção Civil, Ricardo Ribeiro, considerou “um erro
estratégico do Governo Regional” em não integrar o plano nacional de
combate aos incêndios rurais, afirmando que “a população está a pagar
esta omissão”.A comissão de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias vai ainda ouvir, com
base num requerimento do PS, entre outros, a ministra da Administração
Interna, Margarida Blasco, e o presidente da Agência para a Gestão
Integrada de Fogos Rurais (AGIF), Tiago Oliveira.Segundo
o requerimento, sem prejuízo da fiscalização nos planos técnico e
político na Assembleia Legislativa da Madeira, as audições visam “aferir
da forma com ocorreu a articulação entre autoridades nacionais e
regionais (quer nas operações de combate, quer na adoção de medidas
preventivas)”.O incêndio rural na ilha da
Madeira deflagrou em 14 de agosto nas serras do município da Ribeira
Brava, propagando-se progressivamente aos concelhos de Câmara de Lobos,
Ponta do Sol e Santana. No dia 26, ao fim de 13 dias, a Proteção Civil
regional deu o fogo como "totalmente extinto".Dados
do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais apontam
para 5.104 hectares de área ardida, embora as autoridades regionais
tenham sinalizado 5.116.