Proprietários contestam englobamento das rendas no IRS por ser “declaração de óbito” do arrendamento
13 de nov. de 2019, 18:55
— Lusa/AO Online
Na
perspetiva da associação APPROP, o englobamento das rendas no Imposto
sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) vai ter como
consequência um agravamento dos impostos, uma vez que “não é mais do que
uma forma de o Estado aumentar a sua receita e perseguir os
proprietários de imóveis”.“Existe um claro
ataque à propriedade privada e ao direito de cada um fazer com os seus
imóveis o que entender”, apontou a associação de proprietários, em
comunicado, defendendo que a posição que o Governo pretende adotar
quanto à tributação de rendimentos prediais vai ser “má” para o mercado
de arrendamento.Em causa está a afirmação
do primeiro-ministro, António Costa, de que os senhorios que não
colocarem os seus imóveis em regime de arrendamento acessível podem vir a
ficar sujeitos ao englobamento de rendimentos prediais no IRS.No
debate sobre o programa do Governo na Assembleia da República, em 30 de
outubro, António Costa revelou que, na próxima legislatura, pretende
“caminhar no sentido do englobamento dos diversos tipos de rendimentos
em sede de IRS, eliminando as diferenças entre taxas”.“Em
matéria de rendimentos prediais, isentamos a tributação para quem
coloque os imóveis em regime de arrendamento acessível ou faça contratos
sem precariedade”, indicou o primeiro-ministro, acrescentando que,
"para quem não o faz, e tem o direito a não o fazer”, pode acontecer que
o englobamento venha a traduzir-se num agravamento de impostos.Fundada
em 2018, com delegações em Lisboa, Porto, Faro, Guarda, Oeste, Coimbra e
Vila Real, a APPROP indicou que o mercado do arrendamento está a
desacelerar, verificando-se uma diminuição das casas disponíveis para
arrendar, “por força das alterações legislativas aprovadas por este
Governo em fevereiro deste ano, que reforça injustamente os direitos dos
inquilinos em detrimento dos direitos dos senhorios”.“Começa
a não ser vantajoso o arrendamento”, declarou a associação de
proprietários, referindo que, segundo dados do Instituto Nacional de
Estatísticas (INE), em 2019 foram celebrados 71.000 contratos, menos
8.300 contratos do que em 2018.De acordo
com o presidente da APPROP, João Caiado Guerreiro, “o Governo tem, nos
últimos anos, sufocado os proprietários, através da aplicação de uma
carga fiscal altíssima”.“Em 2018, com o
AIMI [Adicional ao Imposto Municipal de Imóveis], o Estado arrecadou
139,6 milhões de euros, com o IMI [Imposto Municipal de Imóveis]
2.969.758.080 mil milhões de euros, e, em 2019, 30 milhões através do
IMI aplicável às casas devolutas”, avançou a associação de
proprietários.Até ao momento, na
declaração do IRS, os senhorios podem optar pela tributação à taxa
autónoma, com o contribuinte a pagar sempre 28% do valor auferido a
título de rendas, ou pelo englobamento dos rendimentos, com o
contribuinte a ficar sujeito às taxas progressivas de IRS.“Pela
tributação à taxa autónoma, um contribuinte que auferir por ano rendas
no valor de 12.000 euros e, em salários, 28.0001 euros, pagará ao Estado
3.360 euros pelos rendimentos prediais e 10.711,75 euros pelos
rendimentos salariais. No regime do englobamento, passará a pagar no
total 12.043,33 euros, ou seja, passará a pagar mais 1.331,58 euros”,
apresentou a APPROP, defendendo que tal é um “aumento abrupto e
insustentável”.Reforçando que esta medida
“não é sustentável”, uma vez que prejudica o mercado de arrendamento,
nomeadamente inquilinos, senhorios e proprietários, e que desvaloriza
todos os imóveis, a associação de proprietários frisou que “a única
entidade que ficará a ganhar, mas será apenas a curto prazo, será o
Estado”.“Basta de aumentos fiscais, basta
de novos impostos, basta que o Estado se continue a aproveitar do setor
do arrendamento e do imobiliário, para encher os cofres à custa do que
nós, proprietários, criámos!”, contestou a APPROP.