Propostas para privatização da Azores Airlines em setembro
Hoje 10:36
— Filipe Torres
O prazo para a apresentação de manifestações de interesse na privatização da Azores Airlines tem um prazo até 6 de setembro.Em entrevista à RTP Antena 1 Açores, o presidente do conselho de administração do Grupo SATA, Tiago Santos, afirma que é até essa data que os interessados na compra de pelo menos 75% do capital da companhia aérea devem apresentar a documentação necessária. O calendário estabelece, ainda que a entrega de propostas não vinculativas pelos candidatos qualificados é 21 de setembro.Tiago Santos lembra que foram criadas novas medidas para tornar o negócio mais atrativo para um possível comprador, entre as quais: a retirada da dívida financeira, que atualmente está entre os 350 e os 400 milhões de euros e as responsabilidades e encargos do passado.Relativamente à reorganização dos recursos humanos, Tiago Santos salienta que a Azores Airlines tem cerca de 300 pessoas ligadas a serviços partilhados do grupo, ou seja, estas passariam todas para a empresa privada, mesmo quando parte delas trabalha para todo o grupo.A administração pretende, por isso, reorganizar os trabalhadores para manter na Azores Airlines as pessoas necessárias à sua atividade, reforçar a SATA Air Açores com trabalhadores de que necessita e evitar que o futuro comprador receba trabalhadores que não correspondem às necessidades.Sobre os acordos com o sindicatos (SNPVAC e SPAC), o presidente do conselho de administração afirma que a Azores Airlines pretende fazer alterações ao acordo de empresa celebrado em 2025 para tornar os acordos mais próximos dos padrões de mercado, mais comparáveis aos concorrentes e mais atrativos para um futuro investidor, garantido que não colocou qualquer medida de redução da massa salarial no acordo com o SNPVAC. “O que dissemos foi para ajustar um conjunto de medidas que permitem utilizar melhor os recursos humanos”, salienta.Sobre o processo de privatização do handling que também está em curso, o administrador reconhece que só vai ser vendido por obrigação.“Não diria que era o ativo mais evidente para vender, isso é evidente. (...) O que aconteceu em 2022 foi a salvação do Grupo SATA. A Comissão Europeia autorizou que o Governo Regional, enquanto acionista, dotasse o Grupo SATA todo de um conjunto de fundos para o salvar (...)”, afirma.“Eu acho que, neste momento, não podemos é pôr-nos naquela posição cómoda que é ‘Eu fico com a parte positiva, eu fico com o dinheiro que alguém autorizou que fosse injetado. A parte menos positiva, ou que custa mais, que é privatizar, essa parte já não me interessa’. Temos de dar o pacote inteiro. Não podemos só escolher aquilo que nos dão em cada momento”, prossegue Tiago Santos.Recorde-se que o processo de privatização da Azores Airlines tem de estar concluído até 31 de dezembro do presente ano.