Proposta laboral "não reúne as condições para que a UGT dê o seu acordo"
Hoje 17:21
— Lusa/AO Online
Questionado
pela Lusa sobre se as negociações em torno do pacote laboral tinham
terminado sem acordo, Mário Mourão escusou-se a confirmar a rutura."Não
sei. Tem que perguntar ao Governo. A UGT esteve até onde foi possível.
Foi o Governo que disse que havia 70 medidas consensuais. Mas ainda não
foi possível a UGT dar o acordo porque as traves mestras do Governo
mantiveram-se, e a senhora ministra disse que não abdicava delas", disse
Mário Mourão. O presidente da CIP
Confederação Empresarial de Portugal, Armindo Monteiro, disse em
declarações à RTP Notícias que as negociações sobre o pacote laboral
terminaram sem acordo e responsabilizou a UGT pela ausência de um
entendimento. "É da responsabilidade da
UGT não haver acordo", disse o líder da CIP, referindo-se à reunião
técnica que hoje decorreu no Ministério do Trabalho entre os parceiros
sociais e que terminou sem ter sido atingido um entendimento.Armindo
Monteiro afirmou que "não é habitual ver a UGT ter a atitude que teve"
durante o processo de negociação da reforma laboral proposta em julho de
2025 pelo Governo.O anteprojeto de
reforma, chamado “Trabalho XXI”, foi apresentado pelo Governo de Luís
Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e a ministra do
Trabalho já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei no
parlamento, ainda que não se comprometa com uma data.As
alterações propostas pelo Governo em julho mereceram um ‘não’ das
centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos
dos trabalhadores. As confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.Perante
as críticas da CGTP e da UGT, o executivo entregou à UGT uma nova
proposta com algumas cedências e novas medidas, mas reiterou que não
está disponível para retirar toda a iniciativa, nem para deixar cair as
traves mestras das alterações anunciadas.A
UGT fez chegar uma contraproposta ao Governo em 04 de fevereiro e
sinalizou que tem ‘linhas vermelhas’ em matérias como a da contratação a
termo ou o 'outsourcing', cujas propostas considera "inaceitáveis".Também a CIP entregou uma nova proposta com alterações à lei laboral, na sequência da contraproposta apresentada pela UGT.