Proposta franco-alemã coloca fundo da UE perto da bazuca
Covid-19
21 de mai. de 2020, 10:17
— Lusa/AO Online
“Se esta proposta
vencer estaremos perto” da bazuca, disse o ministro dos Negócios
Estrangeiros, utilizando a expressão usada pelo primeiro-ministro,
António Costa, que disse ser necessário saber se a União Europeia (UE)
vai disponibilizar “uma fisga ou uma bazuca”, para saber “o poder de
fogo” do plano de resposta à crise provocada pela pandemia de Covid-19.Recordando
que o objetivo é um montante global da ordem de um bilião, Santos
Silva, entrevistado para o podcast do PS "Política com Palavra", frisou
que o plano franco-alemão, no valor de 500 mil milhões de euros, se
junta, se for aprovado, ao pacote de 540 mil milhões de euros do
Eurogrupo, ultrapassando o bilião de euros (um milhão de milhões).Augusto
Santos Silva frisou que a decisão ainda não está tomada, porque o plano
tem de ser aprovado por consenso no Conselho Europeu, mas admite que
ter a Alemanha do lado dos que defendem “uma resposta europeia que não
deixe cada país sozinho”, “faz a diferença” e acrescenta “capacidade de
persuasão no Conselho Europeu para chegar à unanimidade”.“O
facto de a Alemanha ter endossado esta proposta é muito importante, não
para Portugal, Itália, Espanha ou França, é muito importante para o
conjunto da União Europeia”, disse.As
reservas dos chamados países “frugais” – Áustria, Holanda, Dinamarca e
Suécia - a um plano de recuperação assente em subsídios ou financiado
pela emissão comum de dívida, como prevê o plano franco-alemão,
devem-se, segundo o ministro, a “miopia económica”, ou “a incapacidade
de olhar a uma certa distância”.Santos
Silva defendeu a necessidade de “olhar com cuidado” para as previsões
económicas da Comissão Europeia, que anteveem “uma pancada brutal” na
economia europeia em 2020, mas também uma “recuperação económica
imediata” nos dois anos seguintes.“Se
reparar, [as previsões] são mais ou menos equivalentes para todos os
Estados-membros. A Suécia, a Holanda, a Alemanha, têm previsões de queda
do produto iguais ou superiores às de Portugal e, portanto, esta é uma
crise que nos toca a todos”, salientou.Noutro
passo, e questionado sobre o impacto da pandemia na presidência
portuguesa da UE, no primeiro semestre de 2021, o ministro afirmou que a
questão se coloca sobretudo do ponto de vista logístico.“Estamos neste momento a trabalhar com um plano A, um plano B um plano C”, disse.O
plano A, dependente de não haver uma segunda vaga e as condições de
mobilidade estarem adquiridas, passa por reuniões informais
“distribuídas pelo território português, uma cimeira informal dos
líderes no Porto e a sede da presidência aqui no Centro Cultural de
Belém”.O plano B, numa situação de
mobilidade um pouco mais reduzida, implica a redução do número das
reuniões presenciais e o recurso a reuniões, por exemplo, por
videoconferência, e o C, o pior dos cenários, com uma mobilidade
suspensa, em que “o essencial da logística” assentará na dimensão
digital.“Mas, qualquer que seja o plano
que do ponto de vista logístico venha a efetivar-se, do ponto de vista
político a presidência portuguesa vai ser, como as anteriores,
abrangente, bem sucedida e um contributo positivo para a integração
europeia”, disse.