Proposta do PSD para visitar parlamento ucraniano adiada, reunião por videoconferência em breve
Ucrânia
27 de abr. de 2022, 16:26
— Lusa/AO Online
Na reunião, quer o presidente
da Comissão de Negócios Estrangeiros, Sérgio Sousa Pinto, quer o PS
defenderam que este não era “o tempo certo” para se organizar uma visita
da Assembleia da República ao parlamento ucraniano, até porque não
tinha havido qualquer convite.O PSD
aceitou apenas adiar a discussão da sua proposta, dizendo ter havido
contactos por parte do PS para que houvesse um esforço de consensualizar
um texto comum, mas sem a deixar cair.Sérgio
Sousa Pinto informou os deputados de que já tinha sido autorizada pelo
presidente da Assembleia da República uma outra iniciativa: a realização
de uma reunião por videoconferência com a Comissão de integração da
Ucrânia na União Europeia, do parlamento ucraniano, a pedido destes, e
que se deverá realizar em breve.Só o PCP
se opôs à realização desta reunião por videoconferência, com a líder
parlamentar Paula Santos a defender que seria “um caucionamento” de
decisões das autoridades ucranianas como a suspensão e extinção de
partidos.Sérgio Sousa Pinto começou por
informar os deputados da autorização, por videoconferência, da reunião
pedida pelo parlamento ucraniano e que poderá realizar-se
excecionalmente durante o período de discussão orçamental, juntando as
comissões de Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus.“Na
minha qualidade de presidente de Comissão sugeria que não votássemos o
requerimento o PSD no sentido de constituição de uma delegação para
visitarmos o parlamento ucraniano, não fomos convidados para esse efeito
e é o Governo quem conduz a política externa”, apelou.O
presidente da Comissão alertou que uma rejeição desta proposta “poderia
ter uma leitura política que não corresponderia a um sentimento
maioritário” da Comissão e do parlamento português.Na
resposta, o deputado do PSD Ricardo Baptista Leite saudou “o espírito
de construir pontes” hoje manifestado por Sérgio Sousa Pinto, mas
lamentou as suas declarações na véspera à CNN Portugal, quando disse que
esta visita poderia ser “mais uma trapalhada, excelente para quem quer
ser fotografado ao lado de Zelensky”.“Fomos
contactados pelo grupo parlamentar do PS, que manifestou vontade de
rever o texto nos moldes em que o apresentámos e que iria pedir o
adiamento. Da parte do PSD, estamos disponíveis para a construção desse
texto comum o mais depressa possível e, nessa altura, solicitaremos nova
reunião desta Comissão”, disse, pedindo que fosse constituído um grupo
de trabalho para o efeito.O deputado
desvalorizou a ausência de convite por parte do parlamento ucraniano,
dizendo que a bancada do PSD recebeu sinais positivos por parte do corpo
diplomático da Ucrânia e que a aprovação do requerimento seria “apenas o
início de um processo” negociado entre autoridades portuguesas e
ucranianas.Pelo PS, o deputado Francisco
César defendeu que “a melhor forma de ajudar é condicionar a ajuda à
vontade dos que querem ser ajudados”.“O
que está em cima da mesa é uma reunião por videoconferência com a
Assembleia da República. Neste momento, é o modo melhor e que foi
solicitado por parte da Ucrânia para conversar”, disse, acrescentando o
PS também quer “visitar no tempo certo o parlamento ucraniano”.Sérgio
Sousa Pinto frisou que apenas divide a comissão “a utilidade,
conveniência e viabilidade” da visita ao parlamento ucraniano neste
momento, defendendo que a Assembleia da República poderia estar a criar
“uma dificuldade adicional” a quem quer ajudar.O
presidente da Comissão questionou se alguém se opunha à realização da
reunião por videoconferência, já autorizada, e apenas a bancada do PCP
manifestou objeções.“A Assembleia da
República deve manter, no quadro do relacionamento internacional, um
amplo relacionamento com outros parlamentos, incluindo com o ucraniano.
No entanto, há a circunstância de haver na Ucrânia partidos cuja
atividade foi suspensa e até extinta”, disse a comunista Paula Santos.Por isso, manifestou-se contra a realização da reunião entre deputados dos dois países.“Isso
poderia ser considerada uma iniciativa, uma atitude, para o
caucionamento de tais decisões e que só prejudicaria o papel de Portugal
como promotor de cessar-fogo e para encontrar uma solução negociada
para a paz na Europa”, justificou a líder parlamentar do PCP.