Proposta do PSD para captar rotas é mais exequível
Hoje 09:31
— Ana Carvalho Melo
A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, considerou que o Sistema de Incentivos a Rotas Estratégicas
(SIRE), proposto pelo PSD, é mais exequível e apresenta maior agilidade
processual junto das instâncias europeias do que o Fundo de
Desenvolvimento de Rotas Aéreas dos Açores (FDRAA), proposto pelo PS.Em
audição na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa Regional,
Berta Cabral sublinhou que o limite de três anos previsto no projeto do
PSD facilita a aprovação em Bruxelas, ao passo que os cinco anos
proposto pelo PS exigiriam um processo mais complexo.“O SIRE limita
os apoios a três anos e esta realidade está mais em linha com aquilo
que são as orientações da Comissão Europeia, podendo notificar-se
naturalmente os cinco, mas aquilo que é mais comum em todos os sistemas
que são notificados à Comissão Europeia, normalmente, são três anos”,
afirmou.E acrescentou: “O FDRAA exige maior densificação
regulamentar, nomeadamente pela questão da autonomia administrativa e
financeira, e implica justificação reforçada para apoios até cinco anos
junto da União Europeia, porque temos obviamente de argumentar essa
notificação com algum critério que justifique esta diferenciação”.A
secretária apontou, por outro lado, que o SIRE aproveita estruturas e
regras já existentes, enquanto o Fundo proposto pelo PS requer uma
construção jurídica mais pesada.“O Fundo de Desenvolvimento de Rotas
Aéreas dos Açores é um fundo estrutural e permanente que pressupõe
autonomia financeira, decorrente do seu modelo de financiamento”,
enquanto “o SIRE foi desenhado para corrigir falhas pontuais de mercado,
segue as regras dos demais incentivos já criados pela Região”,
explicou. Realçou ainda que o projeto do PSD “não prevê a criação de um
fundo, nem de uma entidade com personalidade jurídica”, o que evita a
burocracia de criar um novo organismo de raiz.Neste contexto, Berta
Cabral realça que a “grande questão” é que a proposta do PS, para ser
funcional, obrigaria à criação de uma nova entidade, enquanto a do PSD
permite delegar a gestão numa entidade já existente e autónoma.“O
Fundo de Desenvolvimento das Rotas dos Açores, para ser exequível, tem
de ter autonomia financeira, porque nenhum departamento da administração
regional pode receber receitas de outras entidades”, alertou.E
realçou que, por sua vez, o SIRE prevê a possibilidade de delegação da
gestão de incentivos na entidade regional responsável, o que permite
receber fundos públicos e alavancar, por conseguinte, a dotação pública.“Esta
é, para mim, a grande questão, porque exigirá a criação de uma nova
entidade, ou então o projeto poderá ser alterado, prevendo desde logo a
delegação numa entidade que tenha autonomia administrativa e financeira.
Caso contrário, tem mesmo de ser criada, porque não se pode criar um
fundo com fundos públicos no âmbito de uma direção regional, no âmbito
de um departamento da administração regional”, afirmou.Refira-se que
o FDRAA, proposto pelo PS, pretende a apoiar o arranque de novas rotas
aéreas diretas e a entrada de novas companhias aéreas e visa compensar
quebras recentes na conectividade aérea da Região.Já o SIRE é um
programa público de incentivos que pretende reforçar a conectividade
aérea estratégica, apoiando o arranque consolidado ou a expansão inicial
de rotas de forma temporária.