Proposta do Governo de revisão da lei laboral chumbada
Hoje 12:31
— Lusa/AO Online
O texto contou apenas com os votos a favor dos partidos que suportam o Governo (PSD-CDS-PP) e da IL.PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP juntaram-se nos votos contra da bancada do Chega.Após
o chumbo, seguiu-se um longo aplauso de todas as bancadas à esquerda,
bem como dos presentes nas galerias do hemiciclo, entre eles o
secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, que se mostrou visivelmente
emocionado.Findo o aplauso, o presidente
do parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, alertou os deputados de que
este tipo de situações “não é regimentalmente aceitável” e lamentou o
sucedido, uma vez que as galerias não se podem manifestar.O
resultado da votação esteve em aberto até ao último momento, com
negociações entre PSD e Chega. A bancada liderada por Pedro Pinto chegou
mesmo a pedir a suspensão dos trabalhos durante meia hora antes do
início da votações. O líder do Chega tinha
anunciado que votaria contra a proposta do Governo na generalidade caso
ela se mantivesse como estava, e foi apresentando algumas exigências.
Antes da votação, reuniu-se duas vezes com o primeiro-ministro e líder
do PSD, Luís Montenegro, em São Bento.André
Ventura deu particular ênfase à descida da idade da reforma - chegando
mesmo a exigir um compromisso escrito por parte do Governo -, além da
reposição dos dias de férias, a proteção dos direitos das mães que
amamentam, a licença para os avós poderem cuidar dos netos, ou a
valorização dos trabalhadores por turnos.Na quarta-feira, durante o debate quinzenal, o primeiro-ministro
manifestou a disponibilidade do Governo para enriquecer a proposta, mas
assinalou que “essa aproximação” só seria possível se a iniciativa fosse
viabilizada na generalidade, quando questionado pelo presidente do
Chega.No entanto, em resposta à líder da
Iniciativa Liberal (IL), Montenegro sinalizou que não defende uma
descida da idade da reforma, como exigido pelo Chega.No
debate parlamentar na quinta-feira da proposta do Governo, Ventura
chegou a afirmar que o seu partido iria “conseguir para os trabalhadores
a maior vitória das últimas décadas”.