Proposta de orçamento do Conselho Europeu é um "retrocesso inaceitável"
Posição conjunta dos Açores e da Madeira
18 de fev. de 2020, 13:39
— Susete Rodrigues/AO Online
De acordo com nota, os
presidentes dos Governos dos Açores e da Madeira, na sequência da
apresentação da proposta de Quadro Financeiro Plurianual para
2021/2027 pelo presidente do Conselho Europeu, entendem que a redução
do montante global para a Política de Coesão é particularmente
“perigosa neste contexto, deixando, em particular, as Regiões
Ultraperiféricas, Portugal e a União Europeia perante cortes
incompreensíveis e inaceitáveis que não promovem a aproximação
da União aos seus cidadãos naqueles domínios onde ela é mais
essencial”.
A redução da taxa de
cofinanciamento que, no caso das Regiões Ultraperiféricas passaria
de 85% para 75%, obrigaria a um “aumento do esforço próprio
destas regiões de 66% (o esforço próprio das Regiões
Ultraperiféricas passaria de 15% para 25% dos investimentos
cofinanciados)”, refere a nota.
“Esta questão é tanto
mais incompreensível porquanto a manutenção das taxas de
cofinanciamento de 85% não oneram nem prejudicam o orçamento global
do Quadro Financeiro Plurianual”.
No que diz respeito às
propostas para financiar o Fundo de Transição Justa através de um
corte semelhante no financiamento das políticas de desenvolvimento
rural são “igualmente muito perigosas, pois implicariam que as
áreas rurais seriam responsáveis pelo pagamento da necessária
transição energética da UE, mais a mais que este Fundo, de modo
inexplicável, deixa de fora as Regiões Ultraperiféricas”.
A posição conjunta dos
presidentes das regiões autónomas, salienta, ainda, que esta
proposta deixa “regiões e europeus para trás porque, ao
fragilizar a Política de Coesão, fragiliza o núcleo essencial do
projeto europeu, sublinhando, perigosamente, o fim de uma
solidariedade entre regiões mais desenvolvidas e regiões mais
frágeis”.