Proposta do BE para Pavilhão do Mar chumbada no parlamento dos Açores após dois 'empates'
11 de mar. de 2022, 10:55
— Lusa/AO Online
A proposta dos dois
deputados do BE, que surgiu após o executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM
anunciar que recusava a instalação de um casino no equipamento, contou
com o apoio do PS (25 deputados), do PAN (um) e da Iniciativa Liberal,
mas o deputado único deste partido absteve-se por defender que o tema
fosse debatido em comissão antes de chegar ao plenário. PSD,
CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados na Assembleia
Legislativa Regional, votaram contra a proposta do BE, tal como o Chega e
o deputado independente Carlos Furtado, pelo que o escrutínio resultou
num empate que, repetido, deu origem à rejeição do documento.A
empresa pública Portos dos Açores, que gere o Pavilhão do Mar, anunciou
em edital que recebeu um “requerimento para atribuição de concessão de
utilização privativa” para “exploração da atividade de jogos de fortuna
ou azar”.A 24 de fevereiro, o Governo dos
Açores recusou a possibilidade de ser instalado um casino no Pavilhão
do Mar devido ao “impacto” na “opinião pública”.O secretário regional dos Transportes, Mário Mota Borges, repetiu que “a instalação do casino não acontecerá”.O
governante explicou que a recusa se deve à “natureza da iniciativa”,
acrescentando, contudo, que a solução de rentabilizar o Pavilhão “será
perseguida” por esta administração da Portos dos Açores, “não nesta
direção [do casino], mas noutras”.António
Lima, do BE, pretendia que o Governo instruísse a Portos dos Açores para
garantir que o Pavilhão do Mar ficasse reservado a “eventos de acesso
publico, de caráter temporário”, considerando que “o que fez o Governo
recuar” no casino “foi a opinião pública”.“O negócio estava mais do que pronto”, criticou.Nuno
Barata, da IL, referiu “falta de transparência no processo”, falou de
“omissões” no edital e notou que o seu aparecimento significa que “a
entidade [Portos dos Açores] já considerou que deve fazer o
procedimento”.“Este processo ainda tem
muito por onde se averiguar. Duas horas de debate vieram provar a
necessidade de este assunto baixar à comissão”, disse, na declaração de
voto em que justificou a abstenção.A
Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados, mas os
partidos do Governo (PSD/CDS-PP/PPM), que juntos representam 26
deputados, assinaram acordos de incidência parlamentar com o Chega e o
deputado independente, ao passo que o PSD o fez com a IL, para assegurar
a maioria absoluta no plenário.No debate
da proposta do BE, a deputada Sandra Faria, do PS, observou que o
Governo recusou na decisão de instalar um casino no Pavilhão “por
pressão da sociedade civil”.“Se o Governo
entende que o espaço deve ser rentabilizado, faça-se concurso publico.
Este é um processo trapalhão, à semelhança de muitos outros”, alertou.Pelo
PSD, Joaquim Machado assegurou que a Portos dos Açores “nunca teve
intenção de concessionar” o Pavilhão para um casino, enquanto José
Pacheco, do Chega, disse que “tal nunca passaria pela cabeça de
ninguém”.Paulo Estêvão, do PPM, lamentou a
discussão “de urgência” para “recomendar ao Governo que faça uma coisa
que ele já fez” e o democrata-cristão Pedro Pinto criticou a intenção de
“atirar para o ar suspeitas e acusações”. “Este processo veio mostrar a assertividade do Governo e a resposta pronta ao que podia vir a ser um problema”, frisou.O
documento apresentado pelo BE pretendia, ainda, “pôr um ponto final no
processo de urbanização da Calheta Pêro de Teive, que se arrasta há mais
de dez anos”, propondo que o Governo Regional diligencie junto da ASTA
para garantir a execução do projeto no prazo máximo de dois anos”.A secretária das Obras Públicas notou que “a ASTA tem até agosto de 2022 para levantar a licença de construção”. “Se
levantar, vai demolir uma zona vai ocupar a zona verde da região.
Entendemos fazer um compasso de espera. No caso de a ASTA não levantar
com a licença, o Governo compromete-se a avançar com o que se tinha
comprometido”, disse, admitindo a possibilidade de resgatar a concessão
em caso de incumprimento do privado.