Proposta de revisão das Lei das Finanças Regionais entregue aos executivos nos próximos dias
21 de mai. de 2025, 15:33
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas, à margem da conferência “50 anos de
Autonomia, e agora?”, no âmbito do Dia do Empresário, no Funchal, o
professor universitário adiantou que o anteprojeto está praticamente
concluído, cabendo depois aos Governos Regionais tomar uma decisão e
apresentar uma proposta final.Em setembro
de 2022, os governos dos Açores e da Madeira anunciaram a criação de um
grupo de trabalho, coordenado pelo professor universitário Eduardo Paz
Ferreira, para a elaboração de uma proposta de revisão da Lei de
Finanças Regionais.O responsável realçou
hoje que o processo foi “muito perturbado pelas sucessivas
instabilidades” políticas nas duas regiões autónomas e na República, com
eleições antecipadas, o que justificou o atraso.“Costumo
dizer que temos ali no escritório aquela pasta um bocado empatada a
tirar-nos espaço e tempo”, disse, em tom de gracejo.Eduardo
Paz Ferreira, que fez parte da comissão que elaborou a primeira Lei das
Finanças Regionais escusou-se, porém, adiantar detalhes sobre as
alterações propostas no documento de revisão.Sobre
a Autonomia, o tema da conferência organizada pela Associação Comercial
e Industrial do Funchal (ACIF), o professor de Direito reconheceu que
há “sempre deficiências e dificuldades nas coisas”, mas considerou
“espetacular o que se fez em 50 anos de Autonomia”.Eduardo
Paz Ferreira referiu que conhece a Madeira há mais de 60 anos, viajava
com frequência para a ilha e recorda-se da “miséria extrema” que se
vivia.Na sessão de abertura da
conferência, o presidente do Governo Regional (PSD/CDS-PP), Miguel
Albuquerque, sublinhou a necessidade de adequar a Lei das Finanças
Regionais às necessidades das populações, considerando que o atual
diploma “é uma vergonha” em diversos aspetos. “Porque
é que temos de ter um limite na nossa fiscalidade de 30%? Ninguém
consegue explicar. Se a receita é nossa, porque é que haveremos de ter
este limite?”, questionou, referindo-se ao diferencial fiscal de 30% que
é permitido às regiões autónomas em relação ao continente.O
governante (PSD) realçou também que no Orçamento Regional para este
ano, que será discutido em junho no parlamento madeirense, o executivo
vai propor a extensão do diferencial fiscal de 30% ao 6.º escalão de IRS
(Imposto sobre os Rendimentos de Pessoas Singulares) e, no ano
seguinte, em 2026, o objetivo é aplicá-lo aos 7.º, 8.º e 9.º escalões.Quanto
ao IVA (Imposto Sobre o Valor Acrescentado), reafirmou que não vai
fazer reduções antes de uma revisão da lei que preveja o método da
capitação simples, para que o executivo regional não perca receitas.No
que diz respeito ao IRC (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas
Coletivas), é intenção do governante colocá-lo a 10% para todas as
empresas, justificando que a Irlanda, por exemplo, aplica uma taxa de
12% e a Bulgária de 10%.“É fundamental
neste momento que, nessa revisão da Lei das Finanças Regionais, seja
dada à região uma margem alargadíssima para podermos ter a tal autonomia
e o sistema fiscal próprio”, acrescentou.Miguel
Albuquerque reafirmou, por outro lado, que o Estado tem de assumir as
suas responsabilidades nos sobrecustos da educação e da saúde,
reiterando também as críticas à retirada de poderes ao Governo Regional
na gestão do seu mar territorial. “É
importantíssimo que seja assumido pelos partidos do quadro parlamentar
uma revisão constitucional que, de uma vez por todas, acabe com os
estigmas, com as discriminações e com as restrições aos poderes
autonómicos”, apontou. Por seu turno, o
presidente da direção da ACIF, António Jardim Fernandes, salientou a
necessidade de aprofundar a autonomia e de os governos e empresas
estabelecerem “a melhoria da produtividade como a prioridade
estratégica”.O responsável elencou
desafios como a transição energética, a tecnologia, a economia azul e,
relativamente às questões fiscais, notou que a Madeira está limitada a
“um sistema fiscal previamente desenhado”.“Celebrar
50 Anos da Autonomia é reconhecer que muito foi feito, mas é,
sobretudo, assumir que ainda há muito por fazer”, declarou António
Jardim Fernandes, manifestando que “o setor empresarial está totalmente
disponível para colaborar, contribuir e ajudar a construir soluções”.“Mas,
pedimos que essa colaboração comece a montante, desde o início, que a
experiência prática e a inteligência económica das empresas sejam
valorizadas, integradas no desenho das políticas públicas e não apenas
envolvidas na sua execução”, reforçou, dirigindo-se ao Governo Regional.