Proposta de plataforma digital do orçamento permitirá aos partidos fazer pré-registo de votações
Hoje 15:28
— Lusa/AO Online
Dois
técnicos do serviços da área informática da Assembleia da República
envolvidos na implementação do projeto estiveram presentes numa
reunião do grupo de trabalho da comissão de orçamento, finanças e
administração pública (COFAP) de acompanhamento da plataforma eletrónica
para o Orçamento do Estado (OE) para fazerem um ponto de situação sobre
a construção da nova aplicação.O
coordenador do grupo de trabalho, o deputado do PSD Hugo Carneiro,
explicou, no início da sessão, que este balanço dos trabalhos serve para
o parlamento a decidir sobre o que poderá ser utilizado, ainda que
parcialmente, na discussão do OE2027, cuja proposta o Governo de Luís
Montenegro (PSD/CDS-PP) tem de submeter à Assembleia da República até 10
de outubro deste ano.Ainda não está
decidido se a votação na especialidade já decorrerá com o suporte da
plataforma, ou se apenas serão utilizadas algumas ferramentas (como a
submissão das propostas de alteração em bloco, em vez de acontecer uma a
uma, como até aqui).Um dos técnicos
presentes, o diretor de tecnologia de informação da Assembleia da
República, Pedro Pereira, referiu aos deputados que há “um grau de
certeza em que a aplicação estará provavelmente a funcionar a tempo do
orçamento”, mas, em todo o caso, foram pensados dois cenários
alternativos caso exista algum desconforto na utilização da aplicação.Os
responsáveis pelo desenho informático explicaram que os partidos podem
fazer um registo prévio do sentido de voto das normas do OE e das
propostas de alteração, criando lotes aos quais associam o sentido
pretendido (contra, a favor ou abstenção).Essa
organização em blocos permite ter os votos pré-registados para utilizar
no momento formal da votação presencial, que continuará a decorrer em
reuniões presenciais da COFAP.Nesse momento, os partidos podem utilizar, ou não, o sentido de voto previamente carregado.Durante
a reunião de hoje, Hugo Carneiro explicou que, na janela temporal que
ficar definida para os partidos fazerem o pré-registo dos votos, essa
informação estará encriptada (não sendo possível a um partido saber como
outro pré-vota).O coordenador do grupo de
trabalho defendeu ainda que é necessário assegurar a transparência
pública das votações, para a imprensa e o público conhecerem, nas
sessões de votação na especialidade da COFAP, como é que os partidos se
posicionam perante determinadas iniciativas.Um dos assuntos abordados teve a ver com a alteração do sentido de voto.O
deputado do PS Miguel Costa Matos lembrou que na dinâmica parlamentar
não é incomum os partidos refletirem sobre o seu sentido de voto e
pedirem para alterar.O deputado do Chega João Ribeiro reforçou igualmente a necessidade de o processo ser transparente.Hugo
Carneiro sublinhou que, nos dias da votação na especialidade, os
partidos podem mudar o sentido até ao fim da reunião da COFAP desse dia.De
acordo com a apresentação realizada pelo técnico informático Fernando
Baptista, a plataforma permitirá às bancadas parlamentares submeter uma
ou mais propostas de alteração associadas à iniciativa legislativa,
fazendo o 'upload' de diversos ficheiros PDF ao mesmo tempo.A
aplicação inclui algumas componentes de inteligência artificial para
concretizar determinadas tarefas, como por exemplo transpor
automaticamente os títulos das propostas e associar às normas do OE
legislação citada com base em informação oficial do Diário da República.A plataforma tem uma página que permite ver como evolui o progresso da votação (com a percentagem de tarefas concluídas).