Proposta de orçamento da UE representa 160 ME de encargos para os Açores
21 de fev. de 2020, 16:53
— Lusa/AO Online
O
secretário regional adjunto da presidência para os Assuntos
Parlamentares, Berto Messias, questionado pela agência Lusa, declarou
que este valor representa um agravamento de 66%, considerando o valor
para os Açores do atual quadro comunitário, que foi de cerca de 1,5 mil
milhões de euros.Berto Messias, que
apresentava em Santa Cruz da Graciosa as conclusões da reunião do
Conselho do Governo dos Açores, realizada na noite de quinta-feira, no
âmbito da visita oficial do executivo regional àquela ilha, considerou
que a questão da taxa de comparticipação financeira “é de grande
relevância”.No caso das regiões
ultraperiféricas (onde se enquadram Açores e Madeira), a redução de
cofinanciamento, de acordo com a proposta comunitária em cima da mesa,
irá sofrer uma redução de 10%, de 85% para 75%, o que "obrigará a um
aumento do esforço próprio destas regiões de 66%", que passaria de "15
para 25% dos investimentos cofinanciados".Questionado
sobre se o Governo dos Açores, na eventualidade de a proposta do
Conselho Europeu ser aprovada, vai solicitar ao Estado-membro, ou seja,
ao Governo de António Costa, para assumir estes encargos, Berto Messias
remete para as declarações do presidente do executivo regional, Vasco
Cordeiro, adiantando que “estão agora a decorrer negociações sobre esta
matéria e não se fará futurologia relativamente “a este dossiê”.O
membro do Governo dos Açores defende que “tem que ser respeitado um dos
mais importantes princípios do projeto de integração europeia, que é a
coesão, onde a atenção às regiões é o seu expoente máximo".Os
governos dos Açores e da Madeira consideraram, em 18 de fevereiro, que
constitui um "retrocesso inaceitável" a proposta de quadro financeiro
plurianual para 2021-2027 apresentada pelo presidente do Conselho
Europeu, sublinhando ser “particularmente perigosa” a redução nas
políticas de coesão."A proposta
apresentada constitui um retrocesso inaceitável e falha,
inequivocamente, na conciliação de posições e de interesses não só entre
Estados Membros e instituições Europeias, mas também face às próprias
pretensões e objetivos a que se propõe a União Europeia para o futuro",
lê-se numa posição conjunta divulgada pelos executivos liderados por
Vasco Cordeiro (Açores) e Miguel Albuquerque (Madeira).Os
executivos liderados por Miguel Albuquerque e Vasco Cordeiro sublinham
que apoiam "totalmente" os "esforços do Governo português", liderado por
António Costa, para a criação de um orçamento "sem cortes na política
de coesão".