Proposta de criação de áreas marinhas protegidas nos Açores entregue no parlamento até fim do ano
24 de out. de 2023, 10:39
— Lusa/AO Online
“Se adiantarmos, como é nossa
pretensão, até ao final deste ano, a definição científica, num diálogo
participado com todos os 'stakeholders', estamos a liderar no mundo pelo
exemplo”, afirmou o presidente do executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM),
José Manuel Bolieiro.O governante falava
em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, no âmbito do encontro “Fora da
Caixa”, promovido pela Caixa Geral de Depósitos, sobre o mar e o
desenvolvimento económico dos Açores.Segundo
José Manuel Boleiro, Portugal já antecipou a meta para atingir 30% de
área marinha protegida de 2030 para 2026, mas os Açores estão em
condições de colocar essas reservas “sobre a forma e a letra de lei” até
ao final do ano.Para já, as áreas
marinhas protegidas serão criadas apenas em alto mar, mas a região
criará também reservas costeiras, adiantou o presidente do executivo
açoriano.“Quero deixar bem claro, nós
assumimos em nome do futuro e da sustentabilidade que qualquer
demonstrada perda de rendimento dos armadores, dos pescadores, quanto à
economia extrativa, fazemos a indemnização respetiva da perda desse
rendimento”, assegurou.José Manuel
Bolieiro disse ainda esperar que o plano de ordenamento do espaço
marítimo regional, aprovado por unanimidade na comissão consultiva,
possa ser integrado “sem qualquer adulteração” no plano de situação do
ordenamento marítimo nacional.O presidente
do Governo Regional voltou a mostrar-se contra a alteração à Lei de
Bases do Ordenamento do Espaço Marítimo, alegando que é “ilegítimo”
retirar competências aos órgãos de governo próprio de uma região que tem
o mar como identidade.“Não podemos
tolerar que haja uma diminuição desta participação. Não se trata de
definição de fronteiras ou de utilização para outros fins de defesa e
segurança internacional, que esta é obviamente uma competência exclusiva
da soberania. Trata-se da avaliação e da fruição económica e ambiental
que a nós nos interessa salvaguardar”, salientou.José
Manuel Bolieiro salientou que os Açores têm 56% do mar de Portugal e
que se sentem “com legitimidade para exigir retorno económico deste
ativo da natureza”.Entre as atividades com
potencial, destacou a passagem de cabos de fibra ótica em águas “mais
salvaguardadas” do risco de terrorismo ou de atos de vandalização e o
combate às alterações climáticas.“Temos um
elemento sequestrador de carbono que é decisivo e impactante no mundo.
Por que não refletir sobre um mercado voluntário de créditos de carbono
no futuro, que possa merecer um rendimento por parte deste ativo de
natureza que representa o nosso mar na economia regional e nacional”,
apontou.O presidente da comissão executiva
da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, reconheceu que é preciso um
“investimento muito significativo” na sustentabilidade da economia do
mar, mas disse que os benefícios são também significativos.“Em
termos de benefícios económicos, eles são muito significativos. Se
focarmos nalgumas áreas específicas, os benefícios são muitíssimo
grandes, a produção de energia eólica ‘offshore’ [alto mar], a
descarbonização do transporte marítimo, a restauração de ecossistemas
específicos”, afirmou.Segundo Paulo
Macedo, “a banca tem uma responsabilidade em apoiar a transição
energética”, por exemplo, em “investimentos em instalações de captação
de sequestro de carbono”, na “obtenção de combustíveis mais limpos” e
“em novas cadeias de abastecimento de logística e armazenamento”, numa
altura em que os empresários preferem ter o abastecimento mais perto da
produção.