Projetos que utilizem plantas endémicas dos Açores vão beneficiar de majorações
17 de ago. de 2021, 06:32
— Lusa/AO Online
No
âmbito de uma visita ao Viveiro Florestal de Espécies Autóctones, na
ilha Terceira, o secretário regional da Agricultura e do Desenvolvimento
Rural, António Ventura, referiu que pretende “dar um impulso na
produção de plantas endémicas, promovendo a sua plantação e, nos
próximos fundos comunitários, majorar os projetos de investimentos que
utilizem estas plantas”.António
Ventura, citado em nota de imprensa do executivo açoriano, salvaguardou
que vai-se assegurar o “fornecimento de plantas para os investimentos
públicos, quer sejam das câmaras municipais, quer sejam de outros
organismos públicos”.A
Secretaria Regional da Agricultura e do Desenvolvimento Rural pretende
promover esta aposta no investimento da produção de plantas endémicas e
autóctones da região a partir do projeto “LIFE IP CLIMAZ – Programa
Regional para as Alterações Climáticas nos Açores”, coordenado pela
Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas. De
acordo com o titular da pasta do Desenvolvimento Rural, “ultrapassado o
desafio da produção de plantas, desde a primeira instância, para além
da conservação dos recursos genéticos, é possível potenciá-los,
retirando dividendos económicos”.Segundo
o executivo açoriano, a iniciativa tem como beneficiários associados as
direções regionais do Ordenamento do Território e Recursos Hídricos, do
Ambiente e Alterações Climáticas, da Energia e dos Assuntos do Mar.Integram
ainda o projeto, os município da Horta e de Vila Franca do Campo, a
Empresa Eletricidade dos Açores(EDA), a Cooperativa União Agrícola, CRL
(CUA) e a Sociedade de Gestão Ambiental e Conservação da Natureza –
AZORINA, SA.António
Ventura declarou que o projeto está orçado em 19,9 milhões de euros,
com uma contribuição dos beneficiários de 7,9 milhões euros e de 11,9
milhões de euros da União Europeia.O
diretor Regional dos Recursos Florestais, Filipe Tavares, disse, por
seu turno, que o Governo está a trabalhar “na domesticação das espécies
mais emblemáticas e com maior potencial madeireiro da floresta natural
dos Açores”.Pretende-se
que a região possa ser a “âncora de inúmeros projetos de dimensão
significativa”, que estão a surgir no âmbito da conservação da natureza,
e que requerem o substancial aumento da capacidade de produção
instalada, e um desses exemplo é o projeto “LIFE IP CLIMAZ”.Filipe
Tavares apontou que a Direção Regional dos Recursos Florestais vai
ficar responsável por certificar o mapeamento das áreas florestais de
todas as ilhas e determinar uma estimativa da biomassa e da capacidade
de sequestro do carbono, de forma a perceber-se o impacto das alterações
climáticas nesses “ecossistemas vulneráveis”.Para
aumentar a capacidade de produção de plantas, serão realizados
“investimentos estruturantes” nos viveiros florestais de Nordeste, Ponta
Delgada, Terceira e Pico.O
executivo pretende contribuir para “a criação de corredores ecológicos,
assegurar uma maior resiliência dessas áreas no combate às alterações
climáticas adversas”, que ajudará a estabelecer a melhoria do regime
hidrológico.Para a implementação dessas ações, o projeto prevê um investimento de 2,5 milhões de euros.O
Viveiro Florestal de Espécies Autóctones visitado por António
Ventura, foi criado pela Secretaria Regional da Agricultura e Florestas,
na anterior legislatura, sendo um espaço "multifuncional, com várias
valências, onde se concilia a produção de plantas endémicas, com ações
permanentes de divulgação e sensibilização da comunidade local para a
temática da conservação dos recursos genéticos naturais”.