Projeto tecnológico para a primeira infância vai fazer bebés “escreverem” música
3 de nov. de 2024, 18:36
— Lusa
Intitulado
“Amplify”, o projeto foi hoje apresentado em Leiria pela Cooperativa
Paulo Lameiro, criador em Portugal dos Concertos para Bebés, que juntou
um consórcio de 14 instituições internacionais para o desenvolvimento
das novas ferramentas. Na manhã deste
domingo, no final de um Concerto para Bebés que teve a cantautora Surma
como convidada, Paulo Lameiro revelou a novidade às cerca de meia
centena de famílias presentes no Teatro Miguel Franco, em Leiria. “Há
32 anos criámos o Berço das Artes e há 26 anos começámos a fazer
Concertos para Bebés. Este projeto transformou em toda a Europa o que se
faz de artes performativas para bebés. Hoje vamos começar o terceiro
projeto. Chama-se ‘Amplify’”, anunciou.O
novo projeto de investigação pretende “dar mais protagonismo aos bebés,
que são o centro das nossas vidas hoje. Para nós, eles são os
verdadeiros solistas”, disse Paulo Lameiro, dirigindo-se aos pais.“Amplify”
junta especialistas individuais, universidades e instituições de
produção musical de Portugal, Noruega, Itália, Espanha, Reino Unido,
Países Baixos, Irlanda e França com dois objetivos principais:
recorrendo à tecnologia de inteligência artificial e realidade
aumentada, a criação dos ‘softwares’ “Portable A” e “Immersive A”.Uma
das soluções tecnológicas vai permitir escrever partituras em tempo
real, a partir da recolha de informação diversa, como o movimento e sons
emitidos pelos bebés, mas também dados biométricos recolhidos por
sensores colocados nos bebés.“Os vossos
bebés vão ter sensores no corpo e durante o concerto o vosso bebé vai
ouvir a música e vai reagir. Quando reagir à música, os sensores vão
transformar as suas emoções numa partitura”, revelou Paulo Lameiro.A
partir desse documento, “os músicos, com óculos virtuais, vão tocar a
partitura que o vosso bebé vai ‘fazer’. O bebé vai ‘compor’ uma música
em tempo real e o músico vai tocar a música que o bebé ‘compõe’”,
recorrendo à inteligência artificial.A
solução permitirá também transmitir, através de telemóveis, os Concertos
para Bebés para avós ou pais que não possam estar presentes, “e será
possível reagir e interagir [remotamente] com a partitura que o músico
vai tocar aqui”.A outra finalidade do
projeto é criar uma aplicação que reúna as reações dos bebés na
interação com os pais, transformando essa informação numa música do
estilo da preferência dos progenitores, como jazz, rock ou música
clássica. O projeto começou a ser
preparado há dois anos, mas arranca formalmente este mês, na
terça-feira, com o primeiro encontro entre os 14 parceiros no Gran
Teatre del Liceu, em Barcelona, Espanha.A
representar Portugal no consórcio está a Cooperativa Paulo Lameiro, que
junta profissionais da companhia Musicalmente, que produz os Concertos
para Bebés, e da Sociedade Artística Musical dos Pousos, que há mais de
três décadas mantém o Berço das Artes. Ao
longo dos primeiros 18 meses serão realizados 16 laboratórios com
músicos, bebés e suas famílias em Pousos, Leiria, para conceber e
desenvolver os equipamentos e ‘software’, e os primeiros pilotos terão
lugar em 54 Concertos para Bebés em várias salas do país, avança a
companhia Musicalmente.O resultado será apresentado em junho de 2027, num festival a realizar em Leiria.