Projeto procura nos Açores soluções para melhorar formação profissional nas ilhas da Europa
Hoje 17:56
— Lusa/AO Online
Iniciado
em março de 2025, o projeto OVER-SEES envolve quatro regiões da União
Europeia e pretende criar um Centro Vocacional de Excelência para as
ilhas da Europa, adaptando a oferta de formação às necessidades do
mercado.Os Açores são uma das regiões que
integram este projeto, junto com a Sicília, em Itália, a região oeste da
Irlanda e as ilhas do Egeu, na Grécia.O
projeto só termina em 2029, mas entre as primeiras conclusões está a
necessidade de consolidar os processos de orientação para a formação
profissional.“Os jovens conhecem poucas
oportunidades que as escolas oferecem, conhecem poucas áreas que nós
temos abordado neste projeto, e, portanto, este aspeto mais ligado aos
próprios setores e à orientação é fundamental”, afirmou à agência Lusa o
psicólogo Francisco Simões, investigador do Instituto Universitário de
Lisboa (ISCTE), entidade que coordena o projeto.Outra das necessidades já identificadas é a criação de alternativas de treino rápido para uma mudança de área de emprego.“Os
jovens muitas das vezes fazem formação e podem ter alguma dificuldade
em encontrar emprego no setor em que fizeram formação. Então, às vezes,
as formações de curta duração, muito orientadas para um mercado de
trabalho, são uma boa forma de encontrar uma alternativa”, explicou
Francisco Simões.Até sexta-feira, o Parque
de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira (Terinov), em Angra do
Heroísmo, nos Açores, acolhe o primeiro ‘workshop’ transnacional do
OVER-SEES, depois de se terem realizado 48 ‘workshops’ nacionais (12 em
cada país do consórcio).Cerca de 20
participantes dos quatro países, que representam entidades formadoras,
autoridades regionais e especialistas dos diferentes setores abrangidos,
vão procurar aspetos comuns entre as diferentes regiões e organizar
essa informação, para depois começarem a desenhar os programas, que
serão implementados em 2027.“A ideia é,
depois de cruzar toda esta informação, no último semestre deste ano,
trabalhar o desenvolvimento dos programas para depois começar o processo
de recrutamento e testagem dos programas. Não é um projeto apenas de
instalação de programas, mas um projeto de testagem para que depois
estes programas fiquem acessíveis às escolas de formação profissional”,
adiantou o investigador do ISCTE.Numa
primeira fase, as quatro regiões apresentaram “resultados díspares”, por
isso é preciso agora encontrar os “aspetos comuns”.“O
que ainda precisamos perceber é, no fundo, o que há em comum entre
estes espaços insulares, para termos um modelo comum também, que permita
alguma circulação das pessoas e alguma formação comum entre as
diferentes regiões”, revelou Francisco Simões.O
projeto desenvolve soluções em quatro áreas, uma por cada região:
agricultura sustentável, turismo rural, energias renováveis e
digitalização.“Nós selecionamos
especificamente estas áreas, pois são áreas que fazem parte da chamada
estratégia de especialização inteligente de cada região”, justificou o
psicólogo.Em 2027, começam a ser implementados quatro programas-piloto, um de orientação e três de formação.“A
ideia é ver de facto qual é o impacto que eles têm, ir melhorando
sempre, para que depois, no final do projeto, em 2029, eles estejam
disponíveis para serem utilizados pelas entidades formadoras”, avançou o
investigador do ISCTE.O projeto OVER-SEES tem um orçamento de cerca de 4 milhões de euros, financiado em 80% pelo programa Erasmus+.