Projeto prevê investimento de 20 milhões de euros no combate às alterações climáticas
25 de jun. de 2021, 18:56
— Lusa/AO online
“O
projeto Life IP Climaz teve início em janeiro deste ano, conta com um
orçamento de cerca de 20 milhões de euros para a implementação de
medidas de combate às alterações climáticas, financiado em 60% pela
União Europeia, e tem um período de implementação de 10 anos com medidas
a aplicar em todas as ilhas dos Açores”, afirmou o titular da pasta do
Ambiente e Alterações Climáticas nos Açores, Alonso Miguel.O
governante falava, em Angra do Heroísmo, na apresentação do projeto,
que inclui medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas nos
Açores em sete áreas: energia, transportes, recursos florestais,
agropecuária, recursos hídricos, ambiente marinho e proteção costeira.Segundo
Alonso Miguel, as medidas financiadas pelo projeto Life IP Climaz
representam “cerca de 75%” do Programa Regional para as
Alterações Climáticas, recentemente aprovado.“O
que nos cabe fazer é estabelecer um conjunto de medidas de combate às
alterações climáticas. Por um lado, mitigar os efeitos das alterações
climáticas, por outro lado, adaptar a região para os efeitos e para nos
prepararmos para esta nova realidade”, salientou, em declarações à Lusa,
à margem da apresentação.O
governante reconheceu que os Açores contribuem de “forma diminuta” para
o fenómeno das alterações climáticas, mas sublinhou que a região pode
ser “afetada severamente”.“As
ilhas com características como as nossas, pequenas, remotas e
dispersas, são sinalizadas como muito vulneráveis a este fenómeno das
alterações climáticas e, obviamente, quanto mais depressa nos adaptarmos
a este fenómeno, maior capacidade temos de sucesso na mitigação dos
seus efeitos”, frisou.Para
além da “consciencialização da população”, Alonso Miguel destacou
medidas de mitigação do impacto de atividades na emissão de CO2 na
atmosfera nas áreas da Agricultura, Energia e Transportes.Estão
previstas, por exemplo, medidas que promovam um incremento das energias
renováveis nos Açores, que atingem atualmente os 45,8%, mas deverão
chegar aos 65%.“Não
é possível converter a 100%, agora a região tem um grande potencial
para a instalação das mais diversas tipologias de energias renováveis,
desde as eólicas à geotermia, às hídricas, aos painéis fotovoltaicos
[…]. Há aqui uma grande capacidade e um longo percurso a percorrer, que
permitirá adaptar as novas estratégias como a mobilidade elétrica”,
salientou o secretário regional.O
projeto inclui ainda a substituição de transportes públicos e do
Governo Regional por veículos elétricos e o aumento da rede de
carregamento desse tipo de veículos.Na
área da Agricultura e Florestas está prevista a reconversão da pastagem
em floresta e a salvaguarda, proteção e recuperação de turfeiras.“São
autênticos sumidouros de carbono e além disso conseguem reter a água,
permitindo a sua infiltração e a recarga de aquíferos”, justificou
Alonso Miguel.Há
ainda um projeto piloto que prevê a introdução de algas vermelhas na
alimentação do gado bovino, o que deverá permitir reduzir
"substancialmente" as emissões de metano na agropecuária.