Projeto nos Açores quer preservar três espécies de escaravelhos
23 de abr. de 2025, 13:45
— Lusa/AO Online
Com
uma duração de seis anos, que se estende até dezembro deste ano 2025,
este projeto de conservação da natureza representa um investimento de
cerca de 1,77 milhões de euros, cofinanciado em 55% pela União Europeia,
segundo o executivo açoriano.O
projeto LIFE BEETLES tem como principal objetivo aumentar a população, a
área de distribuição e o estatuto de conservação de três espécies de
escaravelhos endémicos dos Açores: o escaravelho cascudo-da-mata
(Tarphius floresensis), na ilha das Flores, o laurocho (Pseudanchomenus
aptinoides), no Pico, e o carocho-da-terra-brava (Trechus
terrabravensis), na Terceira.Na
terça-feira, o secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso
Miguel, presidiu à inauguração da exposição de macrofotografia de
insetos endémicos dos Açores “LIFE BEETLES: Pequenos em grande”, no
Jardim Municipal das Lajes das Flores, tendo destacado a importância do
projeto LIFE BEETLES – Bringng Environmental and Ecological Threats
Lower to Endangered Species para uma estratégia concertada e de longo
prazo.Para Alonso Miguel, citado numa nota
divulgada pelo executivo, “estes projetos, com forte comparticipação
comunitária" e com coordenação da Secretaria Regional do Ambiente e Ação
Climática, representam "uma oportunidade única para capacitar a Região
no domínio da proteção dos recursos naturais".Esses
projetos "são uma alavanca essencial para a implementação de políticas
públicas ambientais de excelência, contribuindo para que o património
natural açoriano, único e insubstituível, seja preservado, valorizado e
transmitido às gerações futuras”, sublinhou o governante.No
caso das Flores, o titular pela pasta do Ambiente nos Açores adiantou
que “a área de intervenção do projeto abrange cerca de 182 hectares,
distribuídos pelas zonas dos Ferros Velhos, Lagoa Rasa e Ribeiras do
Fundão e do Anel", nas Lajes.Na ilha têm
sido desenvolvidas "intervenções de recuperação e renaturalização do
habitat da espécie alvo nesta ilha, o escaravelho cascudo-da-mata,
através do controlo e remoção de espécies de flora invasora, da
plantação de cerca de 4.500 exemplares de espécies endémicas e da
aplicação de soluções de engenharia natural em zonas de ribeira
altamente degradadas".Alonso Miguel
revelou que, no âmbito do projeto LIFE BEETLES, a Secretaria Regional do
Ambiente e Ação Climática "investiu mais de 300 mil euros na ilha das
Flores, tendo procedido à criação de três postos de trabalho locais, o
que representa também um contributo relevante para a economia local e
para a qualificação de recursos humanos na área ambiental".Na
data em que se assinalou o Dia Mundial da Terra e o Dia Nacional do
Património Geológico, Alonso Miguel destacou “a relevância do projeto
LIFE BEETLES, pelo seu contributo sólido e consistente para a
conservação da biodiversidade da Região, bem como pela sua capacidade de
sensibilizar e aproximar as comunidades dos valores naturais que
definem a identidade insular”.O governante
considerou que a exposição de macrofotografia, agora inaugurada,
"assume um papel essencial para a aproximação da comunidade local aos
insetos, um grupo de seres vivos que, muitas vezes, passa despercebido e
que nem sempre é devidamente valorizado".Esta
iniciativa pretende dar a conhecer o que de melhor se faz na Região em
termos de investigação, conservação e educação ambiental, disse ainda.Trata-se
da segunda iniciativa do género nos Açores, e que tem percorrido as
três ilhas abrangidas pelo projeto LIFE BEETLES, tendo já sido
apresentada na Terceira e no Pico.Para
assinalar o Dia Mundial da Terra e o Dia Nacional do Património
Geológico, a Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática tem
programadas, até 30 de abril, cerca de duas dezenas de atividades de
sensibilização ambiental, em todas as nove ilhas do arquipélago.