Projeto de recuperação da vinha em Santa Maria garante qualidade para comercialização
1 de set. de 2024, 10:02
— Lusa
Segundo
Duarte Moreira, no âmbito do projeto de investigação denominado Santa
Maria Wine Lab, em 2023 foram produzidas 1.040 garrafas de vinho
certificado e agora a cooperativa – que junta 30 produtores - está a
vindimar, pela primeira vez, com fins comerciais. “Este
ano, aparentemente, teria tudo para ser um bom ano em termos de
quantidade e da qualidade”, disse o responsável à agência Lusa,
revelando que ao nível da qualidade a produção “está garantida”, tendo
em conta o verão seco, de temperaturas elevadas e com muito sol.Já
a quantidade será menor do que previa a direção da Agromariensecoop -
Cooperativa de Produtores Agropecuários da Ilha de Santa Maria,
admitindo uma produção global de cerca de três mil litros de vinhos
certificados e não certificados. “Tivemos
problemas […] com várias pragas, entre elas os lagartos, as vulgares
lagartixas, que atacaram fortemente a uva que ia amadurecendo e isso
provocou quebras muito elevadas na produção de uva. As quantidades vão
ser também limitadas por causa desse fator”, justificou Duarte Moreira.O
representante assumiu, no entanto, tratar-se de um projeto novo na ilha
de Santa Maria, para “aprofundar nos próximos anos”, com trabalho junto
dos produtores em termos de formação e com acompanhamento técnico da
cooperativa, que tem um enólogo ao serviço.Em
dezembro de 2023, lembrou, terminou o processo de investigação e de
desenvolvimento do projeto Santa Maria Wine Lab, que foi financiado pelo
Programa Operacional 2020, com o objetivo de criar pelo menos um vinho
certificado na ilha. “Esse objetivo foi
cumprido. Nós conseguimos três vinhos certificados e este ano instalámos
uma nova adega, com maior capacidade, porque o projeto de investigação
tinha determinadas condicionantes em termos de quantidades de produção”,
disse à Lusa.O presidente da
Agromariensecoop deposita “bastante esperança” no projeto para
recuperação das vinhas tradicionais e da paisagem, “porque Santa Maria
tem uma cultura vitivinícola secular, com 500 anos, que se perdeu”.“Este
projeto visa tentar, de alguma forma, recuperar essa tradição, agora
com vinhos novos, vinhos certificados pela Comissão Vitivinícola
Regional (CVR) Açores”, sublinhou.A vindima já está a decorrer, devendo prolongar-se pelos próximos 15 dias, nas previsões de Duarte Moreira.A
iniciativa de investigação Santa Maria Wine Lab (que arrancou em 2022 e
formalmente terminou em 31 de dezembro de 2023) foi criada para
recuperar a paisagem vínica da ilha mais oriental dos Açores, marcada
pelos quartéis de pedra erguidos ao longo das encostas e que estava, em
grande parte, abandonada.A cultura
vitivinícola em Santa Maria remonta ao povoamento da ilha, mas no século
XIX várias infestações arrasaram as vinhas, tornando a produção
residual.O projeto, que dá prioridade às
“castas nobres” (como a Touriga Nacional, Fernão Pires ou Bastardo) e às
“castas nobres açorianas” (Verdelho, Terrantez do Pico e Arinto dos
Açores), teve financiamento do Programa Operacional 2020 e os apoios da
Câmara Municipal da Vila do Porto e do Governo Regional dos Açores.